Os lucros gerados pela inteligência artificial (IA) devem beneficiar os trabalhadores e fazê-lo de forma justa, defendeu o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert Houngbo, nesta segunda-feira (1º).
Durante a Conferência Internacional do Trabalho em Genebra, Houngbo disse que a IA está transformando o mercado de trabalho ao mudar a forma como se cria valor e como as decisões são tomadas.
“Os trabalhadores devem poder compartilhar os lucros de produtividade geradas pela IA. Esses lucros devem ser distribuídos de maneira justa mediante melhores salários, uma maior proteção trabalhista e um crescimento mais inclusivo”, afirmou.
A maioria das instituições econômicas, incluindo o Banco Central Europeu, afirma que a IA teve, até o momento, apenas efeitos menores sobre o emprego.
Embora a tecnologia de IA esteja em pleno auge, Houngbo destacou que “o futuro do trabalho não será determinado unicamente pela tecnologia, mas pelas políticas, instituições e pelo diálogo social que a orientem”.
Por isso, ressaltou que “as decisões que tomarmos hoje determinarão se a IA ampliará as oportunidades e a prosperidade compartilhada ou se aprofundará a desigualdade e a insegurança”.
Entre as opções disponíveis estão investir em competências, reforçar a proteção trabalhista e social, apoiar as micro, pequenas e médias empresas, e respeitar os princípios e os direitos fundamentais no trabalho, indicou.
“Em última instância, trata-se de uma eleição social e política sobre o futuro que queremos”, afirmou Houngbo.
A OIT é única no sistema das Nações Unidas, já que seus 187 Estados-membros estão representados de maneira equitativa por governos, empregadores e trabalhadores.
Esses representantes se reúnem na sede da ONU em Genebra, de 1º a 12 de junho, para debater questões relacionadas ao mundo do trabalho.
Os membros da OIT esperam concluir as negociações sobre um novo tratado internacional para os trabalhadores de plataformas digitais.
Trata-se de “um passo importante para responder às novas formas de trabalho e fechar as brechas em matéria de proteção e inovação”, disse Houngbo.
Embora controlem, em grande medida, as tarefas e a remuneração, as plataformas classificam estes trabalhadores como contratados independentes e não como funcionários.
Esta classificação lhes permite contornar as obrigações relacionadas ao salário mínimo, à segurança no lugar de trabalho e ao acesso à seguridade social, segundo a ONG Human Rights Watch.
AFP