O presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, afirmou hoje que está disposto a dialogar com o governante deposto do país, Manuel Zelaya, “onde quer que seja” para buscar um acordo sobre a crise política hondurenha.
Existe “vontade total e absoluta de dialogar”, mas “o que falta é ver a maneira como as atuais autoridades ajudam, dentro do que é possível, na saída de Manuel Zelaya para poder dialogar com ele onde quer que seja, não tenho nenhum problema”, ressaltou Lobo, do opositor Partido Nacional.
“Deixemos que a respectiva autoridade resolva, não está em minhas mãos a decisão administrativa de como ele vai sair”, acrescentou o governante eleito.
Lobo disse a jornalistas no aeroporto de Tegucigalpa, ao retornar de curtas férias nos Estados Unidos, que conversou ontem à noite com o presidente dominicano, Leonel Fernández, sobre a possível reunião com Zelaya, que estava prevista para amanhã na República Dominicana.
Hoje, a Presidência dominicana anunciou a “postergação” do encontro.
“O que eu estou disposto a fazer, e disse ao presidente Fernández, é que tem minha total disposição para o diálogo, total disposição para ir lá”, expressou Lobo.
Mas, insistiu, “a saída do ex-presidente Zelaya não está em minhas mãos, isso depende das autoridades hondurenhas”.
O Governo dominicano disse hoje em comunicado que a reunião entre Zelaya e Lobo “terá que ser postergada” porque “o Governo de fato de Roberto Micheletti não concedeu o salvo-conduto para que o presidente Zelaya possa sair de seu país”.
No entanto, o porta-voz da Chancelaria hondurenha, Milton Mateo, disse à Agência Efe que “até hoje não foi recebida nenhuma solicitação a favor do senhor Zelaya” depois da apresentada na quarta-feira passada pelo México e que foi rejeitada.
Mateo reiterou que Zelaya só receberá um salvo-conduto caso saia de Honduras com “asilo político territorial”, figura jurídica que, segundo a Convenção de Caracas de 1954, implica que ele “não vai poder sair do país que o acolher”.
Além disso, este país não pode ser “nenhum da América Central”.
Lobo não descartou se reunir com Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o presidente deposto está desde 21 de setembro, mas sob condições de segurança.
“Eu sou o presidente dos hondurenhos e tenho que guardar a prudência necessária e suficiente para não atuar com nenhum tipo de irresponsabilidade”, afirmou o governante eleito.