A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, sale Tzipi Livni, afirmou hoje que as próximas mudanças na chefia do Governo do país não afetarão o processo de paz realizado com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) desde o ano passado.
“A situação interna em Israel não afeta seus interesses como Estado e também não o fato de que aqui represento esses interesses como ministra de Exteriores”, respondeu Livni a uma pergunta sobre a questão.
Ela advertiu de que as conversas que manteve na quarta-feira em Washington com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o principal negociador palestino, Ahmed Qorei, demonstram o compromisso com o processo iniciado no ano passado na cúpula de Annapolis (Estados Unidos).
“Acredito nesse processo, que é a única maneira de pôr em prática a visão dos dois Estados para dois povos no marco de um tratado de paz”, disse Livni no breve encontro com a imprensa, depois de se reunir com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
A titular de Exteriores aconselhou os “colegas palestinos pragmáticos” que não deixem que a polêmica decisão israelense de seguir ampliando os assentamentos na Cisjordânia atrapalhe o processo de paz.
“Em Annapolis, decidimos negociar e mudar a situação no terreno, ao mesmo tempo, decidimos que a situação sobre o terreno não interferisse nas conversas, assim fizemos até agora, e esse é o conselho que dou a meus colegas palestinos”, disse.
Ela acrescentou que Israel também poderia usar o controle que o Hamas tem da Faixa de Gaza como um obstáculo para seguir negociando.
Livni não fez referência direta em suas declarações ao anúncio feito na quarta-feira pelo primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, de que deixará o cargo em setembro.
A ministra desponta como a favorita das próximas primárias do partido centrista Kadima, às quais o primeiro-ministro decidiu não concorrer por causa das investigações de corrupção contra si.
Sobre sua reunião com Ban, Livni disse que conversaram sobre as ameaças à segurança na região, o programa nuclear iraniano e o papel da ONU na busca de um acordo de paz com os palestinos.
“Acho que a ameaça que todos enfrentamos fez o mundo entender que já não se trata do conflito que costumávamos conhecer, um entre palestinos e israelenses, ou entre judeus e árabes, mas se trata de um conflito entre extremistas e moderados”, destacou.