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Líderes das duas Coréias prometem paz permanente em Pyongyang

Arquivo Geral

04/10/2007 0h00

Os líderes das duas Coréias decidiram nesta quinta-feira promover a “paz permanente” em uma declaração histórica assinada em Pyongyang, store que inclui medidas concretas para consolidar a reconciliação de uma nação dividida há quase 60 anos.

O presidente sul-coreano, here Roh Moo-hyun, diagnosis e o dirigente norte-coreano, Kim Jong-il, encerraram a cúpula de Pyongyang com uma Declaração de Paz de oito pontos a favor da desnuclearização da península, de uma maior cooperação econômica e de um tratado de paz que representará o fim oficial da guerra.

O tratado de paz deverá ser negociado com a participação de “três ou quatro” países, entre eles Estados Unidos e China, e pretende encerrar formalmente a Guerra da Coréia (1950-1953).

Desde então, as duas Coréias estão tecnicamente em guerra por terem assinado apenas um armistício, apesar de sua separação de fato ter acontecido ao final da Segunda Guerra Mundial (1939-45). A divisão, correspondente aos blocos comunista e capitalista, hoje em dia é considerada o último reduto da Guerra Fria.

Ao final do encontro de três dias, Kim e Roh assinaram o compromisso para “acabar com as hostilidades militares” e resolver as diferenças “em um espírito de reconciliação”, durante um ato selado com ambos os líderes unindo suas mãos ao alto, sorridentes.

Para estabelecer o compromisso, apostaram em medidas concretas: pôr fim ao atual “regime de armistício”, estabelecer uma “zona de paz” para a pesca na disputada fronteira marítima e se reunir com mais freqüência. A cúpula de Pyongyang foi apenas a segunda em 50 anos, após a primeira realizada em 2000.

Foi marcado ainda para novembro o segundo encontro da história entre ministros da Defesa das duas Coréias, muito importante no caminho para diminuir as tensões militares na península, e uma reunião dos primeiros-ministros.

“A Coréia do Sul e a Coréia do Norte decidiram cooperar estreitamente para acabar com as hostilidades militares, reduzir as tensões e garantir a paz na península”, afirma a declaração. O texto ressalta ainda o respeito entre os dois países aos sistemas políticos do respectivo vizinho e sua intenção de “não interferir”.

“O Sul e o Norte reconhecem a necessidade de pôr fim ao atual regime de armistício e construir um regime de paz permanente. Decidiram trabalhar juntos para realizar uma reunião na península dos líderes de três ou quatro países diretamente envolvidos e declarar o fim da guerra”, diz o texto.

O encontro dos dois líderes coincidiu com o anúncio de que a Coréia do Norte fechará todas as suas instalações nucleares ainda em funcionamento na central atômica de Yongbyon até 31 de dezembro.

No comunicado, Roh e Kim afirmam que trabalharão “conjuntamente” em busca de uma solução pacífica para o conflito nuclear e se mostram a favor de uma aplicação “suave” dos acordos obtidos nas negociações de seis lados, numa referência às diferenças em relação ao ritmo que deve ser dado ao processo.

Se a cúpula de Pyongyang de 2000 entre Kim Jong-il e o então presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, representou o compromisso político dos dois países a favor da reunificação, o encontro de 2007 quis marcar passos concretos para o relaxamento das tensões no longo e árduo caminho.

Por exemplo, a declaração de hoje afirma que as duas Coréias revisarão seus respectivos sistemas legislativos e institucionais, com o objetivo de desenvolver as relações intercoreanas “visando à reunificação”.

A cúpula intercoreana começou na terça-feira em Pyongyang e foi cheia de atos simbólicos, como quando Roh se tornou o primeiro líder coreano a atravessar a pé a fronteira entre as duas Coréias, símbolo da Guerra Fria.

O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, aplaudiu hoje o acordo de Pyongyang, por entender que ajudará a “relaxar as tensões” na península coreana.

“Minha impressão é de que é muito bom que a tensão nas relações entre o Sul e o Norte está diminuindo, e acho que é isso que vai acontecer”, disse Fukuda, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo.

A China também elogiou o acordo. O porta-voz de Relações Exteriores chinês, Liu Jianchao, disse hoje que seu país “sempre apoiou os dois lados da península coreana para melhorar suas relações bilaterais, e conseguir a reconciliação e cooperação através do diálogo”.

“Damos as boas-vindas aos resultados positivos da cúpula e achamos que eles levarão ao desenvolvimento pacífico da península, e à paz e à estabilidade da região”, acrescentou.

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