O líder supremo da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, repreendeu hoje o Executivo e o Legislativo e pediu que ponham fim a suas brigas, que aumentaram nos últimos meses entre conservadores e ultraconservadores.
A bronca do aiatolá chega a poucos dias do primeiro aniversário da polêmica reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, evento que dividiu o país e o levou à pior crise política e social desde a fundação da República Islâmica, em 1979.
Em uma audiência concedida ao presidente da Câmara, o conservador Ali Larijani, a máxima autoridade iraniana ressaltou que “não é aceitável que ambos os poderes se acusem reciprocamente de não cumprir com suas responsabilidades”.
“Não é aceitável que as duas partes afirmem que cumpriram com o combinado e que a outra parte é que não o fez”, afirmou.
“Não deve haver motivo no Governo para desobedecer ao Parlamento. O Parlamento, por sua parte, não tem razão para manter o Governo à espera. O Governo deve cumprir a lei, e o Parlamento, ajudar a fazê-la”, disse Khamenei.
Nos últimos meses, as diferenças entre os grupos conservadores que dominam as 290 cadeiras que compõem a Assembleia iraniana ganharam força.
O principal foco de confronto é o polêmico plano do Governo para substituir os subsídios a gasolina, alimentos e energia por ajudas com dinheiro diretas e calculadas segundo o nível de renda da população.
Enquanto o Executivo exigiu o controle total dos cerca de US$ 40 bilhões que serão economizados com a medida, o Parlamento lutou para manter um controle dos mesmos recursos.
Na semana passada, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, enviou uma carta ao poderoso Conselho de Guardiães, um dos principais órgãos de poder do país, na qual se queixava de que algumas das decisões do Parlamento “transgridem a Constituição”.
Larijani, por sua vez, denunciou que o Executivo violou algumas leis ratificadas pelo Parlamento.