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Líder do Hisbolá ameaça Israel com guerra que <i>mudará o destino da região</i>

Arquivo Geral

19/01/2008 0h00

Em sua primeira aparição pública em mais de um ano, more about o líder do grupo xiita Hisbolá, Hassan Nasrallah, ameaçou hoje Israel com uma “guerra que mudará o destino do combate e da região” se o Estado judeu atacar novamente o Líbano.

O clérigo fez a ameaça em um discurso diante de centenas de milhares de pessoas no sul de Beirute, por ocasião da Ashura, a festa religiosa mais importante do calendário xiita.

“Se Israel lançar uma nova ofensiva contra o Líbano, nós, se Deus quiser, prometemos uma guerra que mudará o destino do combate e da região”, destacou Nasrallah.

O líder do Hisbolá anunciou ainda que seu grupo tem em seu poder “cabeças, pernas e um corpo incompleto de soldados israelenses” que morreram no conflito entre Israel e Líbano, em julho e agosto de 2006.

Nasrallah disse que não revelou a existência dos restos humanos por querer negociá-los com Israel em troca de prisioneiros libaneses e para provar que o Exército israelense “mente” quando diz que sempre volta das guerras com todos os restos de seus soldados mortos.

O miliciano apareceu no meio da multidão, cercado de guarda-costas que lhe abriam caminho enquanto cumprimentava as pessoas com a mão.

A chegada do líder animou seus seguidores, que começaram a gritar “Às ordens, Nasrallah”, “Deus, proteja Nasrallah” e “Morte aos Estados Unidos e a Israel”.

Essa é a primeira aparição pública de Nasrallah desde a guerra no Líbano, em 2006. Desde então, ele se dirigia a seus seguidores através de vídeos e gravações.

Em seu discurso, falou sobre a recente visita do presidente dos EUA, George W. Bush, ao Oriente Médio, e disse que a viagem tinha como objetivo obrigar os árabes a reconhecer Israel e a assentar os refugiados palestinos.

Nasrallah disse aos árabes para rejeitarem os “planos diabólicos” de Bush na região: “O verdadeiro inimigo dos árabes não é o Irã como querem que acreditemos”.

Sobre o Líbano, mostrou seu apoio à mediação do secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, para resolver a crise política no país, sem presidente desde 24 de novembro do ano passado.

“A mediação árabe não deve pressionar uma parte (em detrimento da outra) para que haja concessões. Nós apoiamos a mediação árabe e reiteramos a confiança no mediador”, declarou o líder do Hisbolá.

Nasrallah disse que se “a mediação fracassar, a oposição (liderada por ele) assumirá sua responsabilidade” e não recorrerá aos problemas sócio-econômicos que castigam o país para “reivindicar seus direitos políticos”.

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