O presidente da Iniciativa para a Ressurgência do Movimento Abolicionista (IRA) na Mauritânia, Biram Ould Dah Ould Abeid, está internado em um hospital após ter sido ferido durante um confronto com a Polícia, segundo informou à Agência Efe o próprio Abeid.
O episódio ocorreu nesta quinta-feira à noite, quando a Polícia interveio para dispersar uma manifestação organizada pelos abolicionistas a fim de protestar contra um caso de escravidão de uma menor, acrescentou Abeid.
Em sua intervenção, na qual ficaram feridos outros dez membros do IRA, as forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes e prenderam 13 integrantes da organização, segundo o líder do movimento.
Segundo Abeid, o responsável de ter escravizado a menor obteve liberdade condicional apesar de a vítima continuar desaparecida.
O chefe do IRA já havia sido preso em dezembro de 2010 por atacar uma delegacia de Polícia, antes de ser solto após receber indulto do presidente do país.
Em agosto de 2007, a Mauritânia adotou uma lei que pune as práticas de escravidão, mas as organizações abolicionistas consideram que o texto não teve efeito porque as autoridades administrativas e judiciais se recusam a aplicá-lo.
As denúncias de casos de escravidão na Mauritânia são relativamente frequentes e na maioria das vezes estão relacionadas com meninas menores utilizadas em tarefas domésticas, privadas de seus direitos fundamentais.