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Libertação de oito soldados mantidos reféns pelo PKK abre crise na Turquia

Por Arquivo Geral 07/11/2007 12h00

A recente libertação dos oito soldados seqüestrados pelo grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) deu origem a uma nova faceta da crise política em Ancara, viagra 60mg com aversão contra deputados curdos.

A imprensa do país traz hoje as polêmicas reações à publicação da foto do “resgate” e à atuação pouco clara que teria tido no processo de libertação um grupo de deputados do Partido da Sociedade Democrática (DTP, nacionalista curdo).

Após duas semanas de cativeiro, durante as quais houve diversas negociações com as autoridades curdas do Iraque, com o Governo turco e com os dirigentes das forças militares americanas no país ocupado, os reféns foram libertados no último domingo.

Eles foram seqüestrados em 21 de outubro, durante um ataque de um grupo de 200 militantes do PKK a um batalhão de Infantaria turca em Daglica (fronteira com o Iraque).

No confronto 12 soldados morreram, o que desencadeou a ira nacionalista da população que saiu às ruas em manifestações a favor de uma forte punição aos rebeldes curdos.

Além disso, o Exército posicionou mais de 100 mil soldados na fronteira com o norte do Iraque, onde o PKK assentou suas bases.

Um dia antes da libertação dos reféns, e enquanto o porta-voz do Governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, anunciava em Istambul que seriam ouvidas “boas notícias” dos soldados “em breve”, uma delegação de três deputados do DTP viajou a Erbil, a capital da Região Autônoma do Curdistão Iraquiano.

Os parlamentares – Aysel Tugluk, Fatma Kurtulan e Osman Ozcelik – aparecem na polêmica foto assinando um “documento de entrega” perante os membros do PKK e diante dos soldados reféns que posavam em formação.

Os deputados de Ancara aparecem rubricando a ata sobre uma mesa coberta com um retrato do preso líder do grupo terrorista, Abdullah Ocalan, o que a grande maioria dos turcos consideraram uma afronta.

“Nenhum membro das Forças Armadas Turcas deveria ter sido visto assim. Não me alegrou muito sua libertação (desta forma)”, afirmou o ministro da Justiça turco, Mehmet Ali Sahin.

O chefe do opositor Partido da Ação Nacionalista (MHP), Devlet Bahçeli, disse que a atuação do DTP, acusado de ser o braço político do grupo armado, “prova seus laços com o PKK”.

Uma das maiores críticas foi feita pelo presidente do Partido Operário (IP, esquerda ultranacionalista), Dogu Perincek, citado hoje por jornais do país.

“Se eu estivesse no papel do Governo não teria aceito a libertação dos soldados. Antes que estes soldados tivessem morrido. Se tivessem chegado em caixões não teríamos sofrido tanto dano moral. Se fosse o pai de um soldado, diria o mesmo. Nesta guerra, o mais importante é o orgulho e a moral”, disse Perincek.

“Sabíamos que nossos soldados seriam libertados um dia antes de seu resgate e antes que os três deputados fossem ao norte do Iraque”, disse também o porta-voz do Governo turco, Cemil Cicek.

O DTP afirmou que tanto o Governo dirigido pelo islamita moderado Recep Tayyip Erdogan, como o Exército turco estavam a par de suas gestões para a libertação dos soldados, mas fontes governamentais o desmentiram posteriormente.

Enquanto isso, a Promotoria de Ancara abriu uma investigação contra os deputados que participaram da libertação, acusando-os de negociar com os terroristas.

A imprensa turca também citou hoje as críticas do líder do grupo parlamentar do DTP, Ahmet Türk, que lamentou o comportamento de seus colegas políticos turcos.

“Esperávamos felicitações por salvar os oito jovens soldados e, de outro lado, nos tornaram culpados”, disse Türk.

Entre tal troca de acusações, a mãe do soldado libertado Fatih Atakul, Aynur Atakul, fez uma dura crítica à utilização política do caso.

“O ministro (da Justiça) deveria ter atirado na minha cabeça antes de usar essas palavras. Teria sido melhor que morressem? Rezei durante meses pelos soldados. Para o ministro é fácil falar e as pessoas vertem lágrimas pelos mártires (soldados mortos), mas são as mães que sofrem”, acrescentou.






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