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Mundo

Kosovo pede que Conselho de Segurança da ONU reconheça sua independência

Arquivo Geral

03/08/2010 21h50

O ministro de Exteriores de Kosovo, Skender Hyseni, pediu hoje ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que substitua a resolução vigente do órgão sobre o status do território balcânico, que o considera parte da Sérvia e o mantém sob a tutela da ONU desde 1999.

“Pedimos que seja mudada a resolução por outra que reflita a nova realidade de Kosovo”, disse o chefe da diplomacia kosovar na saída de uma reunião do Conselho de Segurança sobre a situação nessa região dos Bálcãs.

Em sua opinião, a recente sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre Kosovo tirou qualquer dúvida sobre a legalidade da proclamação unilateral de independência da província sérvia, há mais de dois anos.

Para Hyseni, a maioria dos 15 membros do Conselho de Segurança aceitou a opinião do tribunal internacional propícia a Pristina, mas reconheceu que com a oposição da Rússia, que conta com o direito de veto, é impossível mudar a posição do principal órgão da ONU.

“Tenho certeza de que cedo ou tarde todos os membros do conselho nos reconhecerão”, acrescentou.

Por sua parte, o ministro de Exteriores da Sérvia, Vuk Jeremic, ressaltou que nenhum membro do Conselho de Segurança mudou de posição com relação ao status do Kosovo após da sentença da CIJ.

Além disso, reiterou a opinião de Belgrado de que os magistrados evitaram pronunciar-se sobre o direito à secessão “como questão substancial”, mas se limitaram ao conteúdo técnico da declaração de independência.

Em seu discurso no Conselho de Segurança, Jeremic ressaltou que a atual resolução segue vigente e que, portanto, Kosovo se mantém oficialmente sob a tutela do órgão.

“Não buscamos confronto com ninguém, mas, ao mesmo tempo, não temos dúvidas. Não cederemos, nem nos retiraremos”, afirmou o responsável da diplomacia sérvia, que ofereceu novamente a Pristina a possibilidade de retomar um processo de negociação.

Sobre o assunto, reconheceu que “não há uma solução perfeita” à polêmica, mas defendeu uma saída “equitativa com a qual todos” possam estar de acordo.

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, concordou com o discurso da delegação sérvia e rejeitou plenamente o pedido de Kosovo de mudar a resolução.

Foi precisamente o veto russo que pôs fim em 2007 às tentativas de Estados Unidos, França e Reino Unido, entre outros, de adotar uma nova resolução que pusesse Kosovo no caminho rumo à independência.

Até agora, 69 países, entre eles os EUA e a maioria dos membros da UE, deram seu apoio à soberania de Kosovo, enquanto outros como Espanha, Rússia, China, Brasil e Índia se negam a fazê-lo.

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