O enviado especial da ONU para a Síria, Kofi Annan, iniciará amanhã sua segunda visita a Damasco para avaliar a aplicação do cessar-fogo entre as partes, em meio à repercussão internacional pelo massacre ocorrido na última sexta-feira em Al Haula e que deixou mais de 90 mortos.
Fontes das Nações Unidas que pediram anonimato disseram à Agência Efe que Annan chegará amanhã à capital e vai se reunir na terça-feira com o presidente da Síria, Bashar al Assad.
Além disso, espera-se que ele se encontre com dirigentes da oposição naquela que pode ser a última oportunidade para uma saída negociada à crise no país.
Annan viaja à Síria para avaliar a aplicação de seu plano de paz de seis pontos, respaldado pela comunidade internacional e aceito pelo governo sírio, que contempla um cessar-fogo, a retirada das tropas da cidades, a entrada de ajuda humanitária e um diálogo entre as autoridades e a oposição.
Na quarta-feira, o ex-secretário-geral da ONU deve apresentar um relatório ao Conselho de Segurança da organização sobre a viagem.
Trata-se da segunda visita à Síria do enviado especial, que viajou ao país árabe pela primeira vez em 10 de março para se reunir com Assad e os opositores.
No território sírio, estão atualmente cerca de 300 observadores da ONU para verificar o cumprimento da iniciativa de paz. O mandato da Missão de Supervisão na Síria (UNSMIS) é de 90 dias e expira em julho.
No entanto, a continuação da violência em diversas partes do país frustra as possibilidades de sucesso do plano, apesar de o cessar-fogo, que não foi respeitado, estar em vigor desde 12 de abril.
Embora os números sejam difíceis de serem comprovados, grupos de direitos humanos calculam que mais de 1.500 pessoas morreram desde que a iniciativa de Annan foi aceita pelas autoridades sírias no final de março.
A viagem do mediador ocorre em meio às críticas de vários países pela morte de ao menos 92 pessoas, 30 delas menores de idade, na cidade de Al Haula, na província de Homs, um dos principais redutos da oposição.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou esse massacre e pediu ao governo de Al-Assad o fim imediato do uso de armamento pesado contra os centros de população.
“Este vergonhoso e brutal crime que envolve o uso indiscriminado e desproporcional da força é uma violação flagrante da lei internacional e dos compromissos do governo sírio de cessar o uso de armamento pesado contra os centros populacionais”, afirmou Ban.
Os observadores da ONU na Síria comprovaram ontem os resultados do massacre, que o chefe da UNSMIS, o general norueguês Robert Mood, qualificou como uma “tragédia brutal”. O governo sírio rejeitou hoje qualquer responsabilidade nesse massacre, e a oposição acusa as forças governamentais de tê-lo cometido.
“Pedimos ao Conselho de Segurança da ONU e à comunidade internacional que encarem a responsabilidade e anunciem o fracasso da iniciativa de Annan”, ressaltou o Exercito Livre Sírio (ELS), braço armado da oposição, em nota oficial.
Desde o início dos protestos, em março de 2011, o regime de Assad alega que enfrenta uma conspiração “terrorista” financiada e dirigida do exterior.
De acordo com dados das Nações Unidas, desde aquela data mais de 10 mil pessoas morreram na Síria em episódios violentos como o da última sexta-feira. Além disso, 230 mil pessoas tiveram que deixar seus lares, embora tenham permanecido no país, e outras 60 mil buscaram refúgio em países vizinhos como Turquia e Líbano.