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Karzai pede aos talibãs que deixem luta armada

Arquivo Geral

02/05/2011 9h55

A morte de Osama bin Laden levou nesta segunda-feira o governo do Afeganistão a pedir aos talibãs que desistam da luta armada, às vésperas do início da retirada das tropas internacionais no país, marcada para julho.

 


“Serviu de alguma forma a Osama morrer assim, ao invés de com honra? Peço aos talibãs que aprendam a lição da morte de Osama bin Laden e abandonem a luta”, afirmou o presidente afegão, Hamid Karzai, em um pronunciamento transmitido por televisão.

“A cada dia temos mais mortos afegãos em nome da Al Qaeda e Osama, nossas casas foram bombardeadas, casas que não sabiam da existência de Osama há mil anos e não saberão nada dele dentro de mil anos”, acrescentou.

A morte de Bin Laden, líder da rede terrorista Al Qaeda, aconteceu na madrugada (pelo fuso horário local) durante uma operação de tropas americanas na cidade de Abbottabad, no norte do Paquistão, país no qual acredita-se que estivesse desde 2001, quando teria fugido do Afeganistão, após a invasão dos EUA.

Karzai aproveitou seu pronunciamento para pedir à comunidade internacional uma maior sensibilidade às vítimas civis da guerra afegã. Neste ano serão completados dez anos desde o início da invasão do Afeganistão por parte dos Estados Unidos, ocorrida por causa do atentado realizado pela Al Qaeda contra as Torres Gêmeas de Nova York em 11 de setembro de 2001.

Bin Laden, que ordenou o ataque, recebia apoio do regime talibã no Afeganistão e teve que fugir do país através de um caminho entre montanhas na fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

Karzai denunciou com insistência a existência de esconderijos da Al Qaeda do outro lado da fronteira, e pediu às tropas internacionais que aumentem as precauções em suas operações militares no Afeganistão para evitar que haja novas vítimas civis.


“Dissemos quase todos os dias que a guerra contra o terror não deve acontecer nos povos e casas de afegãos inocentes. A guerra contra o terror está nos refúgios do terrorismo, não no Afeganistão”, disse.

“Mais uma vez, afirmo perante a Otan que a guerra contra o terror não termina no Afeganistão. Osama não estava no Afeganistão, foi encontrado no Paquistão”, acrescentou.

Embora a morte de Bin Laden tenha forte simbolismo na guerra afegã, especialistas no conflito duvidam que haverá grande alcance, justo após o anúncio por parte dos talibãs, no sábado, do início de sua tradicional campanha bélica de primavera.

“A morte de Bin Laden terá algum impacto no leste afegão, onde há guerrilheiros árabes, mas no resto do país os talibãs não sabem nada da Al Qaeda e seguirão com sua luta”, disse à Agência Efe o analista político Harun Mir.

Apesar de já terem se passado várias horas desde a operação que matou Bin Laden, os talibãs não emitiram ainda uma reação oficial perante o fato, embora o antigo embaixador do grupo no Paquistão, Abdul Salam Zaif, o tenha condenado e negado à Agência Efe que vá interromper a guerra.

“Condeno este fato. Estamos furiosos pela morte de Bin Laden, mas isso não vai afetar nossa guerra contra as forças estrangeiras e qualquer outro invasor”, garantiu.


Em exercícios anteriores, as ofensivas de primavera talibãs geraram um aumento de atentados com terroristas suicidas, assim como tentativas de ataque a bases das tropas internacionais e contra pessoas acusadas de prestar auxílio a estrangeiros.

O anúncio da morte de Osama coincide com a proximidade do início da retirada dos primeiros contingentes de tropas internacionais presentes no Afeganistão, previsto para acontecer em julho. Nesta segunda, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que a morte de Bin Laden representa um “sucesso significativo” para a segurança dos países da organização.

Devido ao resultado da operação realizada ontem por tropas americanas, imediatamente nasceu um debate sobre se convém aos Estados Unidos continuar no Afeganistão após a morte do homem que causou a guerra no país e que, paradoxalmente foi treinado pelos serviços secretos americanos na década de 80 para combater a União Soviética. EFE

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