O regime líbio perdeu nesta terça-feira o apoio da Turquia, cujo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, pediu pela primeira vez a saída do líder Muammar Kadafi do poder no mesmo dia em que a Otan se mostrou disposta a manter sua nova estratégia de intensificação das operações no país norte-africano.
Erdogan pediu a Kadafi que abandone de forma “imediata” o governo e o país, marcando uma mudança fundamental na posição da Turquia, que até o momento havia defendido soluções com base em negociações, cogitando inclusive a permanência de algum membro da família do coronel no poder.
“Nas atuais circunstâncias, a saída mais apropriada é transferir o poder ao povo da Líbia, que não é propriedade de um indivíduo ou de uma família”, afirmou Erdogan em pronunciamento em Istambul.
“Começou um novo período na Líbia, a partir de agora acabaram as palavras. Kadafi deve deixar o poder imediatamente. Deve agir como responsável pelo que vem acontecendo e dar um passo a favor da paz”, acrescentou o primeiro-ministro turco.
Esta decisão ocorre um dia depois de a Turquia ter anunciado o fechamento de sua embaixada em Trípoli, e também após um bombardeio da Otan no qual supostamente morreu um filho e três netos de Kadafi, ter desencadeado uma série de ataques contra embaixadas dos países da Otan por parte de seguidores do líder líbio.
A organização voltou hoje a citar a morte do filho mais novo de Kadafi, Saif al Arab, e repetiu que não ataca “alvos individuais”, mas lugares onde são planejados ou promovidos ataques contra civis.
Apesar de fazer parte da Otan, a Turquia não apoia os bombardeios e não está participando ativamente da operação “Protetor unificado”, que nos últimos dias teve um aumento das incursões na Líbia, aumentando a pressão sobre o regime de Kadafi.
Segundo o ministro britânico de Relações Exteriores, William Hague, “a Otan aumentou o número de ataques aéreos contra as funções de controle e comando do regime líbio” de acordo com a resolução 1973 da ONU. Além disso, ele afirmou que Kadafi poderia “abrir caminho” para chegar a uma solução política ao conflito na Líbia se abandonasse o poder.
Comandantes militares do Reino Unido estão trabalhando para ajudar os insurgentes a estabelecer quartéis-generais e organizar sua resistência, de acordo com Hague.
Enquanto isso, o chefe da operação marítima da Otan na Líbia, o almirante Rinaldo Veri, assegurou que a organização considera que pode conseguir seus fins com a campanha aérea e marítima que mantém em andamento.
O militar italiano negou que a operação tenha entrado em “ponto morto”, e explicou que os aliados avançam “lenta, mas contínua”. Por sua vez, os rebeldes deram as boas-vindas à nova postura da Turquia, que interpretaram como sinal do crescente isolamento internacional do regime de Kadafi.
“Cada vez mais países não dão legitimidade ao representante do povo líbio”, disse à Efe Jalal al Galal, porta-voz do Conselho Nacional Transitório (CNT), órgão de direção dos insurgentes.
Galal considerou também que a nova postura da Turquia repercutirá positivamente na operação da Otan na Líbia, que tinha sido dificultada em alguns momentos pelas divergências entre alguns membros da organização.