O tribunal antiterrorista que instrui o caso do assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto emitiu neste sábado uma nova ordem de detenção contra o ex-presidente Pervez Musharraf, que está no exílio.
A corte antiterrorista de Rawalpindi, cidade próxima a Islamabad, renovou a ordem, que não admite pedidos de liberdade com pagamento de fiança, e buscará uma forma de a notificação chegar ao ex-chefe do Exército em seu domicílio de Londres, como informou o canal televisivo “Express”.
O mesmo tribunal já emitiu uma ordem de detenção contra Musharraf e ficou à espera que comparecesse neste sábado à corte, algo que, como se esperava, não ocorreu. As audiências do caso foram adiadas para 5 de março.
A folha de acusações apresentada pela Agência de Investigação Federal (FIA) descreve Musharraf como “fugitivo” e o acusa de não ter protegido a vida de Benazir Bhutto, que morreu em um ataque suicida perpetrado em Rawalpindi em 27 de dezembro de 2007.
O partido fundado no Paquistão por Musharraf, quem em várias ocasiões deixou clara sua intenção de voltar ao país e concorrer às próximas eleições, denunciou que a ordem atendia à vontade de seus rivais políticos que não querem seu retorno.
Um ex-chefe da Polícia de Rawalpindi e outro alto cargo policial estão presos desde dezembro, acusados de negligência no atentado que matou a líder do Partido Popular (PPP).
A missão da ONU que investigou a morte de Bhutto acusou em abril de 2010 o regime de Musharraf de ter feito fracassar a investigação do caso de forma “deliberada”, como exemplo citou o fato da limpeza no local ter sido feita com água em abundância, de mangueira, apagando qualquer vestígio que pudesse levar a autoria.
A equipe da Scotland Yard que chegou a Islamabad após o atentado concluiu que Bhutto morreu atingida na cabeça depois que um suicida explodisse a carga explosiva que levava ao fim de um comício em Rawalpindi.
O Governo paquistanês acusou o líder dos talibãs paquistaneses, o já falecido Baitullah Mehsud – cujo nome também aparece na acusação formulada pela FIA -, de ter planejado o ataque.