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Justiça da Guatemala condena 3 ex-paramilitares por estupro de mulheres indígenas

Os acusados são “autores responsáveis” de crimes de lesa-humanidade pelas violências sexuais contra as mulheres maias da etnia achí, indicou a sentença

Redação Jornal de Brasília

30/05/2025 22h18

verdict in the trial of three paramilitaries for rape of indigenous women during the civil war

Uma mulher guatemalteca Achi, vítima de estupro durante a guerra civil, reage após o julgamento de três ex-paramilitares condenados a 40 anos de prisão por crimes de violência sexual contra seis mulheres maias da comunidade Achi de Rabinal durante a guerra civil na Guatemala (1960-1996), em frente ao Palácio da Justiça na Cidade da Guatemala, em 30 de maio de 2025. Os três ex-paramilitares, também indígenas, eram membros das Patrulhas de Autodefesa Civil, criadas pelas Forças Armadas para combater a guerrilha de esquerda durante a guerra que deixou 200 mil mortos e desaparecidos, segundo a ONU. (Foto de JOHAN ORDONEZ / AFP)

Um tribunal da Guatemala condenou nesta sexta-feira (30), a 40 anos de prisão, três ex-paramilitares por crimes de lesa-humanidade pelos estupros cometidos contra seis mulheres em aldeias indígenas nos anos 1980, durante a guerra civil.

Dezenas de ONGs internacionais que acompanharam o processo, entre elas WOLA e Impunity Watch, destacaram que o caso “ilustra” como o Exército guatemalteco utilizou a violência sexual “como arma de guerra para controlar e submeter” as comunidades indígenas durante o conflito armado entre 1960 e 1996.

Os três ex-paramilitares, também indígenas, eram membros das Patrulhas de Autodefesa Civil, criadas pelas Forças Armadas para combater a guerrilha de esquerda durante a guerra que deixou 200.000 mortos e desaparecidos, segundo uma Comissão da Verdade da ONU.

Os acusados são “autores responsáveis” de crimes de lesa-humanidade pelas violências sexuais contra as mulheres maias da etnia achí, indicou a sentença.

Os condenados a “40 anos de prisão incomutáveis” são Pedro Sánchez, Simeón Enríquez e Félix Tum, com entre 60 e 73 anos, considerados culpados dos fatos ocorridos entre 1981 e 1983, disse à AFP uma fonte da Impunity Watch.

“Eu sou inocente disso que estão me acusando”, disse Sánchez nesta sexta-feira perante o tribunal, antes de ouvir a sentença.

“Eu os reconheci bem [os acusados], aqui não conta apenas o que dizem, mas o que eu passei. Sofri na própria pele tudo o que me fizeram”, declarou, por sua vez, na semana passada, Pedrina Ixpatá, de 61 anos, uma das vítimas.

O julgamento começou em 28 de janeiro e é o segundo caso envolvendo mulheres achí que foram vítimas de múltiplas violências em aldeias do município de Rabinal e em uma base do Exército nesse povoado, situado cerca de 50 km ao norte da capital.

Entre 2011 e 2015, um grupo de 36 vítimas apresentou as denúncias contra ex-militares e colaboradores do Exército. Em 2022, outros cinco ex-paramilitares foram condenados a 30 anos de prisão por esses atos.

Antes de ouvirem a sentença, as vítimas, acompanhadas por ativistas, realizaram uma cerimônia com flores e velas na praça situada em frente ao Palácio de Justiça na capital.

© Agence France-Presse

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