A Junta Militar egípcia deu nesta terça-feira (5) um prazo de dois dias para que os partidos políticos do país cheguem a um acordo sobre a formação da comissão encarregada de redigir a nova Constituição, a 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais.
Após uma reunião com representantes de 18 partidos, o porta-voz da cúpula militar, tenente-coronel Mohammed Askar, explicou à Agência Efe que sem um consenso na quinta-feira, quando os partidos voltarão a se reunir com as forças políticas, “outras opções serão desconsideradas”.
Entre as alternativas está a emissão de uma declaração complementar à Ata Constitucional -a Carta Magna transitória de março de 2011- pela Junta Militar, e a reativação da Constituição de 1971, que atualmente se encontra suspensa.
A reunião realizada hoje para discutir a composição da Assembleia Constituinte foi boicotada por várias forças políticas, entre elas o Partido Liberdade e Justiça da Irmandade Muçulmana, que ocupa cerca da metade das cadeiras do parlamento.
Após participar da reunião, o deputado independente Mustafa Bakri disse, em declaração à agência oficial “Mena”, que se a Junta Militar elaborar uma declaração constitucional complementar, ela será anunciada antes do segundo turno do pleito, previsto para os próximos dias 16 e 17.
Bakri manifestou sua preocupação de que uma eventual declaração constitucional complementar por parte dos militares afete os poderes do futuro presidente e do parlamento.
Para orientar os partidos que boicotaram a sessão e conseguir um consenso com eles foi decidido criar uma comissão, integrada pelo líder do partido nacionalista Al-Wafd, Sayed el Badaui, e dois deputados do salafista Al-Nour.
Por sua parte, Badaui afirmou que realizará várias reuniões antes da quinta-feira, com os partidos que não participaram da reunião, para alcançar um consenso sobre as cotas de representação e de votação da Assembleia Constituinte.
A comissão anterior foi invalidada por um tribunal em abril, depois que um quarto dos seus membros, na maioria liberais, decidiu boicotá-la ao considerar que estava dominada pelos islamitas e que não representava todos os setores da sociedade.