O juiz espanhol Baltasar Garzón, garantiu neste sábado em Nova York que a morte do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, pelas mãos das forças dos Estados Unidos “não se adequa à legalidade internacional”, embora reconhecesse que ninguém pode ser contra o fato de “que um terrorista deixe de ser terrorista”.
“A morte de Bin Laden não se ajusta aos padrões da legalidade internacional”, explicou Garzón à imprensa em Nova York, onde recebeu um prêmio impulsionado pelos Arquivos da Brigada Abraham Lincoln (Alba) por sua defesa dos direitos humanos.
Garzón, primeiro receptor do prêmio dessa organização que vela pela memória das Brigadas Internacionais que apoiaram à República na Guerra Civil espanhola, assegurou que “nos padrões da legislação, (a morte de Bin Laden) evidentemente não se adequa à legalidade”.
“Levando em conta as próprias informações norte-americanas que (Bin Laden) não estava armado nem havia risco algum, não se poderia matar uma pessoa à qual é acusado de fatos delitivos, pelo menos do ponto de vista espanhol e jurídico”, assegurou o juiz, que explicou que um caso similar na Espanha levaria “a abertura de um procedimento contra quem tenha dado essa ordem”.
O magistrado espanhol assegurou, no entanto, que “ninguém pode ser contra que um terrorista deixe de ser terrorista”, embora defendesse que “os terroristas devem ser detidos e submetidos a julgamento, como forma de reivindicar o Estado de Direito e a diferença respeito ao exercício de terror”.