A decisão de um jornal judeu ortodoxo de Nova York de apagar a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, da famosa fotografia em que acompanha a operação contra Osama bin Laden gerou uma forte polêmica nos meios de comunicação e blogs americanos.
O jornal ultraconservador “Der Tzitung”, que é editado no bairro nova-iorquino de Brooklyn, retirou Hillary da fotografia, já que tem a política de não incluir imagens de mulheres para evitar supostas conotações sexuais.
“Hillary Clinton foi apagada” por ser uma mulher, escreveu nesta terça-feira o “New York Post”, que reproduziu em sua edição digital declarações da blogueira defensora dos direitos da mulher Jill Filipovic, que assegurou que, “não está certo alterar a realidade para que se ajuste a seu mundo ideológico”.
“Nosso editor fotográfico, consciente da importância deste momento histórico, publicou a foto, mas, na pressa, não leu a legenda que acompanhava a imagem e que proibia qualquer alteração e publicou uma imagem omitindo as mulheres presentes na sala”, explicou o jornal “Der Tzitung” em comunicado divulgado depois do início da polêmica.
O jornal explica que “queria honrar o presidente” e as “Forças Armadas pela importância histórica do momento” e, por isso, optou “por publicar a foto, mas sem as mulheres, como dita” sua “política editorial”.
Na foto original é possível ver o presidente dos EUA, Barack Obama, e outros altos funcionários de sua Administração que acompanhavam a operação que em 2 de maio (pelo horário do Paquistão) resultou na morte do líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, na cidade paquistanesa de Abbottabad.
O jornal também retirou da imagem, publicada em sua capa, a outra mulher que aparecia na fotografia: a diretora de contraterrorismo do Conselho Nacional de Segurança dos EUA, Audrey Thomason.
“Nossa política editorial está dirigida por um Conselho Rabínico e, devido às leis do pudor, não permite a publicação de fotografias de mulheres. Os leitores do “Der Tzeitung” acreditam que as mulheres devem ser admiradas, pelo que são e pelo que fazem, e não pela aparência”, explicou o jornal.
Além disso, ressaltou que “as acusações por parte de alguns de que o judaísmo ortodoxo denigre a imagem da mulher e não respeita aquelas que ocupam cargos públicos é uma calúnia maliciosa e uma difamação”, já que “a religião judaica não permite a discriminação por motivos de gênero ou raça”.
“Pedimos desculpas por qualquer mal-entendido (…). Transmitimos nosso pesar e nossas desculpas à Casa Branca e ao Departamento de Estado”, conclui o comunicado divulgado pelo jornal em seu site.