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Mundo

Jornais russos cancelam protesto após intervenção do Kremlin

Arquivo Geral

20/05/2008 0h00

Os jornais russos que planejavam chegar às bancas nesta quarta-feira com suas primeiras páginas em branco suspenderam hoje seus protestos, more about após o Kremlin lhes prometer que evitará a anunciada alta dos preços das assinaturas.


“Não haverá páginas em branco. O assunto está sendo negociado pelo gabinete da Presidência e pela Agência de Comunicações e Imprensa”, disse à agência “Interfax” Pavel Gusev, um dos organizadores da ação.


Gusev, diretor do jornal “Moskovsky Komsomolets” e membro da Câmara Pública, órgão consultivo do Kremlin, explicou que representantes da imprensa e do Governo realizarão na quinta-feira uma reunião especial para discutir o problema do encarecimento das assinaturas.


“Previsivelmente, todas as nossas exigências serão satisfeitas”, acrescentou, em referência aos protestos da comunidade midiática contra os planos da companhia estatal Correios da Rússia de elevar em até duas vezes os preços das assinaturas.


O chefe da Agência Federal de Comunicações e Imprensa, Mikhail Seslavinski, divulgou um comunicado no qual assegurou que as autoridades levarão em conta, antes de qualquer outra coisa, “os interesses dos leitores” na hora de aprovar as novas tarifas de assinatura.


Anteriormente, a Câmara Púbica havia anunciado que vários jornais russos sairiam na quarta-feira com as primeiras páginas em branco e uma única frase: “Pode-se abalar a liberdade de imprensa de distintas formas; por exemplo, com o brusco aumento das tarifas de assinatura”.


Os diretores de diversos jornais que fazem parte da Câmara Pública chegaram a escrever uma carta direcionada ao novo presidente russo, Dmitri Medvedev, para expressar sua preocupação e expor suas propostas sobre como resolver o problema das tarifas de assinatura.


“A assinatura dos jornais é o principal canal de informação para milhões de cidadãos, e seu encarecimento levará à destruição do espaço informativo do país”, dizia a mensagem ao presidente russo.


Entre outros, assinavam a carta os diretores de um dos jornais mais antigos do país, “Izvestia”; dos diários “Moskovsky Komsomolets” (com uma tiragem de mais de dois milhões de exemplares) e “Komsomolskaya Pravda” (em torno de um milhão), e do semanário “Argumenti y Fakti” (mais de três milhões de exemplares).


Apenas uma vez na história recente da Rússia dois influentes diários, “Nezavisimaya Gazeta” e “Segodnia”, saíram com espaços em branco, em 5 de outubro de 1993, pela censura implantada pelo então presidente Boris Yeltsin no dia seguinte à ordenação do bombardeio ao Parlamento opositor.


 

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