Em entrevista ao programa “This Week”, da rede “ABC”, exibida hoje, Carter disse que ainda não confirmou a agenda de sua escala na Síria, mas que é provável que se reúna “com os líderes do Hamas”, algo com o qual está “bastante confortável”.
“Acho que ninguém duvida que, se Israel vai conseguir paz e justiça em suas relações com seus vizinhos, os palestinos, o Hamas terá que estar incluído no processo”, disse o ex-presidente americano.
Segundo Carter, “é muito importante que pelo menos alguém se reúna com os líderes do Hamas para expressar seus pontos de vista, determinar sua flexibilidade, tentar convencê-los a interromper todos os ataques contra civis inocentes em Israel e cooperarem como grupo para unir os palestinos, talvez um cessar-fogo”.
A possível reunião de Carter com o líder político do Hamas, Khaled Meshaal, foi muito criticada pelo Departamento de Estado americano, que desaconselhou o encontro.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse na sexta-feira que não vê “o que se pode ganhar” com um encontro com o Hamas, grupo que o Governo dos EUA inclui em sua relação de organizações terroristas.
Carter desempenhou um papel importante no Oriente Médio como presidente (1977-1981), e em 1978 intermediou os Acordos de Camp David, o tratado de paz entre Egito e Israel.
Desde então, adotou uma posição mais crítica sobre Israel, que teve como auge a publicação de um livro em 2006 no qual acusa o Estado judeu de manter um sistema de “apartheid” nos territórios palestinos.
Os EUA apóiam o grupo palestino moderado Fatah, liderado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e que controla a Cisjordânia.
O Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza em junho do ano passado após confrontos com o Fatah. Desde então, Israel bloqueia o acesso à Faixa, onde só entram produtos de primeira necessidade.