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Jihadistas cercam Bamako e desafiam Aliança do Sahel

Ataques coordenados do JNIM e aliados tomam cidades malianas e matam o ministro da Defesa, Sadio Camara, ameaçando a estabilidade regional.

Redação Jornal de Brasília

04/05/2026 7h45

Foto: AFP

Foto: AFP

Grupos jihadistas, incluindo o Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al-Qaeda, e a Frente de Libertação do Azawad (FLA), impuseram um cerco à capital do Mali, Bamako, após tomarem cidades como Kidal em ataques coordenados no dia 25 de abril. Esses grupos montaram barreiras no acesso à capital para forçar a rendição do governo liderado por Assimi Goïta. A ofensiva resultou na morte do ministro da Defesa, Sadio Camara.

A Aliança dos Estados do Sahel (AES), formada por Mali, Níger e Burkina Faso, enfrenta uma ameaça direta à sua estabilidade. Esses países, que sofreram golpes militares a partir de 2020, adotaram governos nacionalistas com apoio popular e se distanciaram da influência da França, ex-colonizadora da região. Em resposta às mudanças, a Comunidade Econômica da África Ocidental (CeDeao) expulsou Mali, Níger e Burkina Faso da organização, isolando-os politicamente, especialmente por não terem acesso ao mar.

O governo maliano acusa a França de apoiar e financiar os grupos terroristas, com denúncias formais ao Conselho de Segurança da ONU em 2022, alegando violações do espaço aéreo para fornecer informações e armas aos insurgentes. A França rejeita as acusações, destacando sua luta anterior contra o terrorismo na região, na qual perdeu 59 soldados. Analistas, como o jurista Hugo Albuquerque, sugerem que potências ocidentais veem com maus olhos a integração da AES, que atrapalha planos de exploração de recursos naturais, como ouro, petróleo e minérios, abundantemente presentes na África Ocidental, lar de mais de 420 milhões de habitantes, mas marcada por pobreza extrema.

Em contrapartida, os estados da AES recebem apoio militar da Rússia, por meio da África Korps, derivada do grupo Wagner. No entanto, o analista Héni Nsaibia, da ACLED, avalia que o envolvimento russo não reverte a situação, e o bloqueio a Bamako pode forçar as forças malianas a priorizar a capital em detrimento de outras áreas.

O JNIM busca implantar um califado islâmico no Sahel baseado na Sharia, abrangendo partes de Mali, Burkina Faso e Níger. Já a FLA, composta por tuaregues nômades, luta pela independência de um estado para sua etnia e tem histórico de apoio francês, além de envolvimento em comércio de armas e tráfico de pessoas. Especialistas como o historiador Eden Pereira Lopes da Silva alertam que a queda do Mali, o país mais extenso da AES, poderia criar uma instabilidade similar à da Líbia, afetando vizinhos como Gana e Costa do Marfim, e atrair mais recrutamento terrorista, com o núcleo da luta migrando do Mediterrâneo para o Sahel.

O presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, um dos líderes mais proeminentes da AES, classifica o terrorismo como expressão do imperialismo e defende que um exército forte permita o desenvolvimento nacional. A AES condenou os ataques como ‘bárbaro e desumano’, atribuindo-os a uma conspiração de inimigos da libertação do Sahel. Goïta afirmou publicamente que a situação está controlada.

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