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Italianos fazem "greve da massa" por causa de alta nos preços dos alimentos

Arquivo Geral

13/09/2007 0h00

As principais associações de consumidores italianas promoveram hoje uma “greve da massa” para protestar pelo aumento dos preços dos alimentos e, troche como contraponto, doaram em Roma 400 quilos de produtos básicos.

Sem dados confiáveis sobre o número de pessoas que deixou de comer e comprar massas no dia de hoje, os grupos que mobilizaram o protesto – Adoc, Adusbef, Codacons e Federconsumatori – se limitaram a divulgar uma pesquisa feita em supermercados de seis cidades, mostrando que 48% dos compradores não quiseram adquirir esse produto. Com isso, declararam que a iniciativa foi um “sucesso”.

A emissora de TV “Sky TG24” elevou este número para 60%, de acordo com uma pesquisa feita com sua própria audiência.

A doação de pão, massa e leite aos moradores de Roma foi o ato central do protesto, que pretendia ser uma chamada à população, “necessária porque os preços aumentaram demais”, como explicou o presidente da Adoc, Carlo Pileri.

As associações de consumidores organizaram a doação em duas praças da capital. Uma delas reuniu 200 pessoas, e a outra 50.

Os consumidores denunciam o que consideram um aumento injustificado dos preços de alimentos de primeira necessidade, entre eles a farinha – que em um ano subiu 11% -, o espaguete tradicional (27%), os outros tipos de macarrão (22%), o pão (17%) e o leite (7%).

Uma mesa repleta de massas, leite e doces feitos com cereais – e que trazia cartazes que denunciavam o aumento do preço do pão do campo à mesa em 1.227% desde 1985 – estava à frente da primeira das manifestações.

Uma das consumidoras que se aproximou do protesto se mostrou incrédula com a iniciativa, dizendo que “hoje as pessoas comerão massa do mesmo jeito, já que os comerciantes aumentam os preços quando querem”, enquanto recolhia seu pacote com massa, leite e pão.

Segundo as associações de consumidores, as famílias italianas gastarão este ano € 1 mil a mais do que o previsto devido ao aumento dos preços, não só na alimentação, mas também em outros setores como o transporte.

O presidente da Federconsumatori, Rosario Trefiletti, explicou que as associações tiveram uma reunião com o presidente da Autoridade Garantidora da Concorrência e do Mercado na Itália(AGCM), Antonio Catricalà, para agradecer por sua disposição em busca de soluções.

Embora a AGCM não possa “mudar ou impor preços ao mercado”, Catricalà disse que serão averiguados “os desvios no interior do mercado”, explicou o presidente da Codacons, Carlo Rienzi.

As associações de consumidores querem promover a compra direta de alimentos dos agricultores para reduzir os preços. Um quilo de uva de mesa, por exemplo, custa € 0,35 no campo e chega ao mercado a € 2 ou mais.

As associações de consumidores propuseram também que hoje fosse um dia de controle de despesas. Para isso, sugeriram que as pessoas levassem comida de casa para o trabalho, utilizassem o transporte público e usassem o telefone somente se fosse indispensável.

A greve foi contestada pela organização patronal Confcommercio. Para essa instituição, o alarde quanto ao aumento de preços é “excessivo” e garantiu que um aumento de 6% nos preços dos alimentos básicos se traduz em € 9 a mais nas despesas mensais de uma família.

O diretor comercial da marca de massas “De Cecco”, Luciano Berardi, citado pela imprensa local, se perguntou “quanto custou ao povo substituir hoje um prato de massa”.

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