A Câmara Baixa italiana aprovou nesta quarta-feira uma declaração da maioria conservadora governista que exige que seja fixado um prazo máximo para o fim das intervenções militares na Líbia.
Por 309 votos a favor, 294 contra e 2 abstenções foi aprovado o texto apresentado pelo Povo da Liberdade (PDL), o partido do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e por seus aliados da Liga Norte (LN), com o qual também se dá por encerrada a pequena crise de governo criada nos últimos dias pelas discordâncias sobre o papel que a Itália deve desempenhar na intervenção na Líbia.
O texto se compromete “a fixar um termo temporário seguro, que será comunicado ao Parlamento, em cujo prazo devem ser concluídas as ações seletivas contra alvos específicos selecionados sobre território líbio”.
“É absolutamente evidente, como aparece na moção da maioria, que a data exata limite para que terminem as ações militares será o resultado de uma análise com as organizações internacionais, em primeiro lugar com a Otan e os aliados”, indicou o ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, em um discurso transmitido ao vivo pela televisão.
O ministro assegurou que o objetivo de seu governo é que as ações militares aliadas sejam concluídas o mais rápido possível e que se encontrem soluções que levem a uma reconciliação nacional na Líbia.
“Confirmamos nosso ‘sim’ à aplicação da resolução da ONU, cujo objetivo é chegar à pacificação, enquanto a ação militar é só o meio”, afirmou Frattini, que disse que a intervenção aliada reduziu o arsenal de Muammar Kadafi até quase a metade.
A moção parlamentar foi apresentada por iniciativa da Liga Norte depois que Berlusconi anunciou em 25 de abril a adesão aos bombardeios aliados, uma decisão com a qual seus parceiros no governo não estavam de acordo e que advertiram que poderia acarretar na queda do Executivo.
O partido do primeiro-ministro uniu-se à declaração de seus aliados no governo nesta terça-feira durante uma reunião em Roma, da qual saiu praticamente o mesmo texto apresentado pela Liga Norte.
O documento exige também que os países aliados compartilhem o peso migratório como consequência do conflito e que seja descartada qualquer futura participação em ações militares terrestres na Líbia.