A Itália decidiu hoje chamar para consultas seu embaixador no Brasil, ed Michele Valensise, após o Governo brasileiro conceder status de refugiado político ao ex-ativista Cesare Battisti, condenado pela Justiça italiana à prisão perpétua.
Segundo informou hoje a Chancelaria italiana em nota enviada à imprensa, a decisão chega após a Procuradoria Geral da República recomendar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que facilite a concessão de refúgio político e liberdade ao ex-ativista de esquerda.
Após pronunciamento do Governo brasileiro, o STF tem que julgar a causa de Battisti, que aguarda em uma penitenciária de Brasília uma possível libertação, depois de ser detido no Rio de Janeiro em 2007 e de ser condenado na Itália por quatro assassinatos.
A Itália considera uma “decisão grave” o fato de o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, se mostrar na última segunda favorável à extinção do processo de extradição de Battisti.
“É uma decisão muito grave porque (as autoridades brasileiras) tinham anunciado uma reconsideração, uma reflexão mais profunda”, declarou o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, na nota de imprensa.
“O fato de decidir apenas 48 horas depois sem ter avaliado com a profundidade que teríamos desejado nos parece um pouco um não querer decidir e desejar cobrir plena e simplesmente a decisão política do ministro da Justiça”, acrescenta.
Segundo o ministro, o Brasil é um “grande país, amigo da Itália desde sempre”, e por isto o Governo italiano não esperava este comportamento das autoridades brasileiras, daí a “gravidade” de sua reação.
A chamada para consultas de Valensise era uma possibilidade que o Governo de Silvio Berlusconi já considerava há alguns dias, apesar de as autoridades italianas ainda esperarem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconsiderasse a decisão tomada pelo ministro da Justiça Tarso Genro.