O Governo de Israel levou à ONU sua resposta às perguntas do organismo sobre a investigação da suposta comissão de crimes de guerra durante a ofensiva Chumbo Fundido denunciada pelo relatório Goldstone.
O porta-voz da ONU, Martin Nesirky, disse que a organização recebeu na sexta-feira a documentação pedida às autoridades israelenses, cujo prazo de entrega acabava hoje.
Depois da análise de seu conteúdo, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, levará os documentos israelenses para a Assembleia Geral da ONU, assim como os que já tinha recebido da Autoridade Nacional Palestina (ANP) sobre o assunto.
Em fevereiro, a Assembleia adotou uma resolução na qual Israel e a ANP ganharam cinco meses para terminar investigações “críveis e independentes” sobre o conflito de dezembro de 2008 e janeiro de 2009 na Faixa de Gaza.
As duas partes foram advertidas de que, caso descumprissem o novo prazo, poderiam ser alvo de medidas em outras instâncias das Nações Unidas, como o Conselho de Segurança.
O relatório da comissão presidida pelo juiz sul-africano Richard Goldstone analisou os 23 dias da ofensiva israelense contra o movimento radical islâmico Hamas, que causou a morte de 1.400 palestinos, em sua maioria civis.
Em suas conclusões, Goldstone acusa os dois lados de supostamente cometer crimes de guerra durante o conflito e pede que iniciem investigações sobre as condutas de suas forças.
Israel assegurou no relatório enviado em fevereiro a Ban que investigou 150 incidentes relacionados a suas operações militares na Faixa de Gaza, entre eles os denunciados pelo relatório Goldstone.
Em 7 de julho, um sargento da reserva israelense foi acusado por um tribunal militar pelo homicídio de duas palestinas em Gaza, o primeiro caso no qual o Exército de Israel processou um soldado por matar civis na operação Chumbo Fundido.
A ANP iniciou no final de janeiro seu próprio processo de investigação com a criação de uma comissão de cinco juízes e juristas que analisa a atuação dos milicianos palestinos durante o conflito.