Após invadir o sul do Líbano e arrasar diversas localidades, Israel ordenou, nesta segunda-feira (1º), o bombardeio da periferia de Beirute, reduto do Hezbollah, antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Em um comunicado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenaram os ataques.
Em seguida, o coronel Avichay Adraee, porta-voz do Exército israelense em árabe, advertiu aos moradores dos subúrbios ao sul de Beirute para que deixassem a região “para preservar sua segurança”.
Em Nova York, a sessão do Conselho de Segurança da ONU foi convocada a pedido da França, cujo presidente, Emmanuel Macron, afirmou que “nada justifica a grande escalada em curso no sul do Líbano”.
A ofensiva israelense contra seu vizinho do norte acontece de maneira paralela às negociações dos Estados Unidos com o Irã para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio.
Teerã reiterou nesta segunda-feira que qualquer acordo com Washington dependerá da implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano.
Israel e Líbano anunciaram uma trégua em 17 de abril, mas o cessar-fogo nunca foi respeitado. O lado israelense afirma que a ofensiva no Líbano pretende “esmagar” o grupo xiita Hezbollah, que, como aliado do Irã, retomou as hostilidades em 2 de março como forma de solidariedade a Teerã, alvo de uma ofensiva israelense-americana.
O Hezbollah reivindicou nesta segunda-feira um ataque com mísseis contra um alvo militar na região de Tiberíades, no norte de Israel, uma afirmação sobre a qual o Exército israelense ainda não se pronunciou.
Nos últimos dias, os militares israelenses avançaram em sua ofensiva no sul do Líbano, enquanto prosseguem com os bombardeios aéreos. Várias localidades da região foram arrasadas, segundo moradores, denúncias comprovadas por imagens de satélite e fotos da AFP.
Na semana passada, as Forças Armadas israelenses declararam uma zona de combate em todo o território libanês situado ao sul do rio Zahrani, a quase 40 km da fronteira entre os dois países.
A barreira natural fica muito além do rio Litani, a cerca de 30 km, e que as tropas israelenses atravessaram, anunciou na sexta-feira o primeiro-ministro.
Katz afirmou nesta segunda-feira que o objetivo é estabelecer “uma zona sob controle de segurança do Exército, livre de armas e de terroristas”, na área do rio Litani.
O Hezbollah, por sua vez, prossegue com os ataques com drones contra posições israelenses, no sul do Líbano e na região norte de Israel.
O grupo também afirmou em um comunicado que combatia as forças israelenses nos arredores da fortaleza de Beaufort, que domina o sul do Líbano e parte do norte de Israel, e que serviu de base para as forças israelenses antes de sua retirada no ano 2000.
– “Pânico geral” –
Após os anúncios de ataques nos arredores de Beirute, centenas de famílias começaram a abandonar a periferia sul, a pé, de moto ou em veículos, segundo jornalistas da AFP.
“Partimos imediatamente”, contou um jovem de 24 anos que se identificou como Hadi. As declarações israelenses “provocaram pânico geral”, afirmou.
No domingo, Israel reivindicou a tomada da estratégica fortaleza de Beaufort, no sul do Líbano, que qualificou como um “ponto de inflexão decisivo” nas operações.
Além disso, sua captura abre caminho para um avanço do Exército israelense em direção à região de Nabatiyeh, mais ao norte.
– “Plano claro” –
O Exército israelense também ordenou nesta segunda-feira a evacuação de nove vilarejos nas regiões de Sidon e Jezzine, no sul do Líbano.
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversou com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre as negociações de paz entre os dois países, indicou no domingo um funcionário do governo americano.
“Para fazer este diálogo avançar, o governo dos Estados Unidos propôs um plano claro: o Hezbollah deve acabar com todos os ataques contra Israel. Por sua vez, Israel se absterá de qualquer escalada em Beirute”, declarou a fonte, que pediu anonimato.
Uma nova rodada de conversações entre Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, está prevista para terça e quarta-feira em Washington.
Antes desta rodada de tratativas, Aoun denunciou uma “agressão feroz” por parte de Israel.
Desde o início da guerra, em 2 de março, mais de 3.412 pessoas morreram no Líbano e mais de um milhão foram deslocadas, segundo Beirute.
O balanço do lado israelense subiu para 26 mortos após a morte de outro soldado nesta segunda-feira.
AFP