Israel afirmou nesta terça-feira (14), no primeiro dia de uma rodada de negociações em Roma com Beirute, que espera que o diálogo contribua para a implementação de um acordo sobre duas “zonas-piloto” no sul do Líbano, de onde as tropas israelenses deverão se retirar.
Os dois países, oficialmente em guerra há décadas, negociam sob os auspícios dos Estados Unidos em meio à escalada regional entre Washington e Teerã.
Em 26 de junho, chegaram a um acordo-quadro com o objetivo de pôr fim à guerra entre Israel e o movimento libanês pró-Irã Hezbollah e abrir caminho para a paz.
No entanto, o Hezbollah rejeita o acordo, que exige o desarmamento do grupo e cuja implementação começaria com a retirada israelense de duas “zonas-piloto” no sul do Líbano.
A Presidência do Líbano advertiu na segunda-feira que exigirá essa retirada como condição para negociações posteriores.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que seu país está “disposto a avançar na implementação dessas duas zonas-piloto”.
“Espero e quero acreditar que esta rodada de negociações em Roma favorecerá esse avanço”, declarou Saar a jornalistas em Jerusalém.
Um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que as negociações em Roma “foram produtivas e transcorreram em um ambiente positivo” e que ambas as partes desejam avançar. O diálogo será retomado na quarta-feira.
Segundo uma fonte diplomática libanesa, “o Exército libanês está preparado para assumir gradualmente o controle das localidades das quais o Exército israelense se retiraria”.
“Israel está disposto a se retirar gradualmente”, afirmou à AFP a analista Orna Mizrahi, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), em Tel Aviv. Mas com a condição de “que não haja presença do Hezbollah nas áreas das quais Israel se retirar”, acrescentou.
Uma delegação militar americana iniciou no sábado, em Beirute, negociações com o Exército libanês sobre o processo de retirada israelense de uma dessas “zonas-piloto”.
Apesar de um frágil cessar-fogo em vigor entre o Hezbollah e Israel, o Exército israelense prosseguiu com ataques no sul do país e realizou demolições nas localidades que ocupa, segundo a imprensa oficial libanesa.
A agência libanesa NNA informou sobre um ataque à cidade de Nabatieh al Fawqa, no sul do país, nesta terça-feira.
Os bombardeios aéreos e as incursões terrestres de Israel mataram mais de 4.300 pessoas desde o início da guerra, no começo de março, segundo as autoridades libanesas.
AFP