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Israel aprova lei para suspender prisão de ultraortodoxos que evadam serviço militar

Medida beneficia estudantes de seminários religiosos e amplia tensão política em meio à pressão sobre as Forças Armadas por falta de efetivo

Redação Jornal de Brasília

14/07/2026 16h34

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Foto: JALAA MAREY / AFP

O Parlamento de Israel aprovou nesta terça-feira (14) uma lei para suspender a prisão de estudantes ultraortodoxos que se recusarem a cumprir o serviço militar, medida que provocou críticas da oposição diante da escassez de efetivo enfrentada pelas Forças Armadas.

O projeto de lei foi aprovado em suas duas últimas votações por 58 votos a 54, poucos dias antes de o Knesset, o Parlamento unicameral israelense de 120 cadeiras, ser dissolvido para as eleições de 27 de outubro.

Durante meses, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conduziu tensas negociações sobre o tema com os partidos ultraortodoxos que apoiam seu governo.

Os líderes dessa comunidade fechada há muito tempo se opõem ao recrutamento, argumentando que o serviço militar afastaria os jovens dos estudos religiosos e enfraqueceria seu modo de vida.

Segundo um acordo que remonta à fundação do país, em 1948, os ultraortodoxos dedicados integralmente aos estudos religiosos têm sido isentos do serviço militar.

No entanto, nos últimos anos aumentaram as pressões para integrá-los às Forças Armadas, enquanto Israel se viu envolvido em guerras em múltiplas frentes.

A Suprema Corte de Israel também questionou repetidamente essa isenção, culminando em uma decisão de 2024 segundo a qual o governo deve recrutar os ultraortodoxos.

Com a aprovação da medida, espera-se que Netanyahu conte com o apoio das duas legendas ultraortodoxas — Shas e Judaísmo Unido da Torá — nas eleições de outubro.

Segundo a nova legislação, ficam suspensas até 30 de novembro as prisões de estudantes em idade de serviço militar matriculados em seminários judaicos ultraortodoxos — conhecidos como yeshivás.

Será reconhecido como estudante quem dedicar pelo menos 45 horas semanais ao estudo de textos religiosos, e espera-se que o Ministério da Defesa elabore uma lista de yeshivás cujos alunos estarão abrangidos pela aplicação da lei.

Os líderes da oposição criticaram duramente a iniciativa, gritando “vergonha” no plenário durante a votação.

Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e principal adversário político de Netanyahu, escreveu na rede X que “as 58 mãos que se levantaram são as mãos da coalizão mais insensata da história de Israel”.

“Este é um governo que escolhe enfraquecer o Exército em meio a uma guerra brutal, enquanto os melhores filhos e filhas desta nação estão mobilizados em todas as frentes”, acrescentou.

Na segunda-feira, o Knesset aprovou outra lei que declarou o estudo de textos religiosos judaicos como um “valor fundamental” do Estado, norma amplamente considerada um reforço à argumentação dos ultraortodoxos em favor da isenção do serviço militar.

AFP

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