O ministro da Defesa de Israel, troche Ehud Barak, ameaçou hoje lançar uma grande operação militar em Gaza horas depois que a Justiça obrigou o Exército israelense a suspender os cortes de eletricidade à Faixa.
“A cada dia que passa nos aproximamos mais de uma operação de envergadura em Gaza”, anunciou Barak, no que parece uma resposta à decisão do assessor jurídico do Estado, Menachem Mazuz, de impedir os cortes de fornecimento elétrico até que se garantir que isto tem efeitos limitados no território palestino.
“Não temos pressa e ficaremos alegres se derem as circunstâncias para que não fazermos isso, mas se aproxima o momento de ter de lançar uma grande operação em Gaza”, advertiu o ministro da Defesa em declarações à rádio do Exército israelense.
Evitar a necessidade de empreender uma operação militar dessas características vinha sendo um dos argumentos usados pelo ministro israelense de Infra-Estruturas, Binyamin Ben-Eliezer, para defender a aplicação dos cortes de eletricidade à Faixa de Gaza, entre outras medidas punitivas.
Quando o Exército teve que pelo menos adiar a interrupção do serviço elétrico – decisão que tinha sido aprovada pelo próprio ministro da Defesa -, Barak recorreu assim a um discurso que volta a privilegiar a pressão militar.
Segundo comunicado enviado hoje à Efe pelo gabinete do assessor jurídico do Estado, Mazuz resolveu suspender a aplicação dos cortes de luz até que se encontrarem mecanismos que garantam que não afetarão hospitais e serviços civis de alta necessidade.
O texto afirma que o assessor jurídico do Estado pediu aos “organismos de Defesa um estudo exaustivo para examinar que a aplicação (dos cortes) seja consistente com a decisão do Governo de não prejudicar a população civil”.
Mazuz advertiu que não foi demonstrado que a medida punitiva é aplicada de forma proporcional e que nessas condições Israel se arrisca a sofrer denúncias em tribunais internacionais.
Dezenas de organizações humanitárias palestinas e israelenses apresentaram uma queixa à Suprema Corte de Israel para o fim do que consideram um “castigo coletivo” aos 1,5 milhão de palestinos que vivem em Gaza.
Algumas dessas organizações, como Adalah, Gisha e Paz Agora, acolheram hoje com satisfação a decisão de Mazuz sobre a polêmica medida adotada pelo Executivo, que faz parte de um pacote de sanções, algumas das quais – como os cortes no fornecimento de combustível a Gaza -, já começaram a ser aplicados no domingo passado.
O assessor jurídico do Estado deixou margens para a adoção de medidas de represália por parte do Governo israelense ao afirmar que Israel tem direito a cortar as relações com Gaza em resposta ao lançamento de foguetes artesanais Qassam contra o sul de Israel.
As sanções foram aprovadas depois que o Governo israelense declarou o território como “entidade hostil”.