A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, troche em inglês), destacada no Afeganistão, denunciou hoje que seus helicópteros foram alvejados pelo Exército do Paquistão na região de fronteira entre os dois países.
“Helicópteros da Isaf receberam fogo de artilharia leve de um posto de controle militar fronteiriço perto do distrito de Tani”, na província de Khost, leve do Afeganistão, afirmou a força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em comunicado divulgado em Cabul.
Segundo a nota, o incidente, que não deixou mortos nem causou danos, aconteceu quando os helicópteros realizavam “operações rotineiras”.
“Em nenhum momento os helicópteros da Isaf entraram no espaço aéreo paquistanês”, informou a força, que acrescentou que está “trabalhando” com o Exército do Paquistão para “resolver o assunto”.
O incidente fez o Pentágono exigir hoje explicações ao Paquistão.
“Os paquistaneses têm que nos explicar por que aconteceu” esse incidente, disse Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono.
Whitman confirmou hoje à imprensa que os dois helicópteros atacados pertenciam aos Estados Unidos, e reiterou que em nenhum momento entraram em território paquistanês.
O porta-voz do Pentágono também informou que os altos comandantes militares da Otan e dos EUA tinham iniciado conversas com os paquistaneses para obter uma explicação sobre o ocorrido e um compromisso de que o incidente não se repetirá.
O Exército do Paquistão, no entanto, deu outra versão sobre o fato em comunicado divulgado em Islamabad.
Segundo sua versão, os helicópteros realmente teriam cruzado a fronteira e entrado na área paquistanesa de Said Gai, em um cinturão tribal no Waziristão do Norte.
“Quando os helicópteros sobrevoaram nosso posto fronteiriço e se encontravam bem dentro do território do Paquistão, nossas forças de segurança fizeram disparos de advertência. Então, os helicópteros responderam ao fogo e voaram outra vez” ao Afeganistão, segundo o comunicado.
Na província de Khost, há principalmente tropas americanas da Isaf.
As forças dos Estados Unidos também lideram uma “coalizão antiterrorista” que opera no Afeganistão, sob comando direto de Washington, e que tem intensificado suas operações contra a insurgência no cinturão tribal paquistanês nas últimas semanas.
Geralmente, aviões não tripulados cruzam a fronteira e disparam mísseis contra supostas posições talibãs, mas, no dia 3 de setembro, foi registrada uma incursão de helicópteros no povoado de Angorada, onde 20 pessoas morreram.
Esta incursão gerou protesto das autoridades do Paquistão, que ameaçaram retaliar outros ataques em defesa de sua soberania e integridade territorial.
Nos últimos dias, soldados e tribos locais paquistaneses impediram duas tentativas de helicópteros americanos de cruzarem a fronteira, embora o Exército tenha negado qualquer envolvimento.