O grupo dos Irmãos Muçulmanos, a maior força da oposição no Egito, rejeitou nesta segunda-feira manter qualquer diálogo com o novo primeiro-ministro, general Ahmed Shafiq, e criticou o presidente, Hosni Mubarak, por tê-lo proposto na véspera.
“Ahmed Shafiq e Omar Suleiman (vice-presidente) são pilares do regime e partícipes da injustiça e da corrupção, e a partir de suas mãos nunca conseguiremos reformas, tampouco a democracia”, declarou à Agência Efe um dos dirigentes dos Irmãos, Mahmoud Ghazali.
No domingo à noite, Mubarak encarregou Shafiq, premiê desde sábado, que dialogue com a oposição e promova a democracia no país, como informou a televisão pública.
“Só queremos dialogar com o Exército, o único em que confiamos, para chegar a um acordo sobre a transferência do poder de maneira pacífica”, acrescentou.
Ghazali garantiu que a proposta de Mubarak para dialogar com a oposição “chega muito tarde” e acrescentou que “o povo rejeita todas estas faces de Mubarak, Shafiq e Suleiman”.
O dirigente dos Irmãos insistiu em que o único pedido do povo continua sendo derrubar o regime e que em caso de Mubarak não deixar a Presidência, os cidadãos permanecerão nas ruas.
Segundo Ghazali, o grupo islâmico rejeita Mubarak e todo seu Governo e classifica as propostas para dialogar com a oposição de tentativas de “enganar ao povo até que se tranquilizem”.
A oposição egípcia anunciou na véspera a criação de um comitê do qual fazem parte, entre outros grupos, os Irmãos Muçulmanos e a Assembleia Nacional para a Mudança, liderada pelo prêmio nobel da Paz Mohamed ElBaradei, com a missão de aproximar aos militares para criar pontes de comunicação, à margem do regime.