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Irmandade Mulçumana da Síria não quer que país se torne uma nova Líbia

Arquivo Geral

01/04/2011 11h49

Dois importantes líderes da Irmandade Mulçumana da Síria asseguraram nesta sexta-feira em Istambul que não desejam que os protestos em seu país terminem como na Líbia – com uma guerra civil e uma intervenção estrangeira -, por isso que exigiram ao presidente, Bashar al-Assad, reformas democráticas.

“Não queremos uma segunda Líbia”, afirmou um membro da cúpula dirigente da organização islâmica.

A seu lado, durante a entrevista coletiva organizada pela ONG islâmica turca Mazlumder, estava o secretário-geral da Irmandade Mulçumana da síria, quem assegurou que “o regime (sírio) começou a ter medo”.

Há duas semanas são registradas grandes mobilizações na Síria que foram violentamente reprimidas pela Polícia, deixando dezenas de mortos, especialmente no sul do país, em torno da cidade de Deraa, onde começou a revolta.

Os dois líderes da organização minimizaram as recentes manifestações de apoio ao regime, alegando que são “como as que havia em todos os países do (extinto) bloco socialista”.

O secretário-geral explicou que o que diferença a Síria da Líbia é que os sírios nunca aceitariam uma intervenção militar estrangeira.

“Mas se houver uma intervenção, o único culpado será Al-Assad e seu regime, assim como o culpado da intervenção na Líbia é (Muammar) Kadafi”, acrescentou.

O outro membro do grupo comparou Al-Assad com o presidente romeno Nicolae Ceausescu, “a quem um dia o povo apoiava nas praças e no dia seguinte estava sendo julgado”.

“Queríamos que o próprio Al-Assad realizasse reformas, desse ao povo seus direitos e conduzisse o país a eleições democráticas, porque de outra forma haverá guerra. E nós não queremos uma intervenção estrangeira. Queremos direitos e liberdades. Mas parece que até agora só há massacres”, declarou.

Apesar de ser uma organização proibida na Síria e de seu poder ter sido reduzido desde o massacre de Hama de 1982 (quando um levantamento islâmico foi reprimido pelo regime provocando entre 10 mil e 40 mil mortos), a Irmandade Mulçumana assegurou nesta sexta-feira que simpatizantes de seu grupo fazem parte do movimento opositor.

“No levantamento há gente propícia a nossas ideias, mas também há outros grupos”, explicou o secretário-geral.

Perguntados pelo modelo que defendem, os líderes islâmicos responderam que “o modelo iraniano não é apropriado para a Síria”.

“Para nós e para todo o mundo árabe, o sistema apropriado é o turco. Assim como os turcos, queremos escolher nossos Governos nas urnas”, disse o outro dirigente.

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