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Irlanda anuncia redução de gastos, corte de empregos e aumento de impostos

Arquivo Geral

24/11/2010 18h17

O Governo irlandês apresentou nesta quarta-feira seu plano de ajuste para os próximos quatro anos, que prevê cortes de 3 bilhões de euros em prestações sociais, a economia de 1,2 bilhão com a eliminação de 24.750 postos de trabalho e a alta de impostos.

Com estas medidas e outras que ainda devem ser anunciadas, o Executivo de Dublin acredita que conseguirá reduzir seu déficit público para 9,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, após chegar este ano a 32% como consequência dos 35 bilhões de euro injetados no setor bancário.

Seus objetivos baseiam-se em uma análise moderadamente otimista sobre as perspectivas de sua economia, já que calcula que crescerá em média 2,75% até 2014, o que até agora contradiz a opinião dos mercados.

Nesta quarta-feira, a agência Standard & Poor’s rebaixou a qualificação da dívida irlandesa a longo prazo da categoria “AA-” para “A” com perspectiva negativa, ao considerar que a Irlanda necessitará ter acesso a um resgate financeiro para seu bancos maior do que o previsto.

No entanto, o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, ressaltou, ao apresentar o plano de recuperação nacional, que as medidas pretendem recuperar a “confiança da população” e demonstrar que o país tem “futuro”.

Segundo Cowen, “40% dos conteúdos” do plano, que contempla cortes no valor de 15 bilhões de euros para conseguir reduzir o déficit público para 3% do PIB em 2014, devem ser alcançados em 2011.

O Estado precisa ingressar durante os próximos quatro anos 10 bilhões de euros através da redução do gasto público e outros 5 bilhões com uma profunda reforma do regime fiscal, acrescentou.

A primeira fase do plano será apresentada em 7 de dezembro ao Parlamento com a apresentação dos orçamentos para 2011, cuja aprovação é fundamental para que a Irlanda tenha acesso ao resgate financeiro da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Neste sentido, Cowen confirmou que seu Governo negocia com estes dois organismos um pacote de ajudas de 85 bilhões de euros e, embora tenha ressaltado que esse número não é definitivo, calcula-se que cerca de 35 bilhões de euros serão destinados a sanear seu sistema bancário.

O plano de austeridade estabelece, além do corte de funcionários, que o salário mínimo interprofissional será reduzido em um euro para 7,65 euros por hora, e que o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) subirá 22% em 2013 e 23% em 2014, o que gerará ingressos de 620 milhões de euros.

O Governo acredita que uma mão-de-obra mais barata pode abrir o mercado de trabalho para os mais jovens e contribuir para reduzir a atual taxa de desemprego de 13,5% para 10% em 2014.

Também serão reajustadas as taxas no setor de educação, com aumento de 500 euros das taxas universitárias, para os 2 mil euros anuais, além da instalação de contadores de água em todos os lares para impor novo imposto antes de 2014.

O primeiro-ministro advertiu que os impostos sobre a renda voltarão aos níveis de 2006, enquanto o Estado tratará de reverter seu gasto público aos registros de 2007.

Embora o Governo não tenha previsto modificar as atuais pensões, quando não superarem os 12 mil euros anuais, o plano prevê elevar a idade de aposentadoria para os 66 anos em 2014, para os 67 em 2021 e para os 68 em 2028.

O ministro das Finanças, Brian Lenihan, confirmou que não elevará o imposto sobre sociedades, como reivindicam alguns membros comunitários, que na atualidade está fixado em 12,5% e que Dublin considera crucial para atrair investimentos estrangeiros à ilha.

Os sindicatos convocaram uma grande manifestação neste sábado para protestar pela política do Governo diante do escritório dos correios, o emblemático General Post Office (GPO), que foi palco da luta pela independência irlandesa contra as forças de ocupação britânicas.

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