O Parlamento iraniano vai reconsiderar a cooperação de seu país com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) caso o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprove o novo pacote de sanções imposto pelos Estados Unidos.
A afirmação foi feita hoje pelo presidente da Comissão de Segurança Nacional e Relações Exteriores do Parlamento iraniano, Alaedin Boroujerdi, em declarações reproduzidas pela emissora estadual.
No entanto, Boroujerdi se mostrou confiante no fato de países como China e a Rússia, que têm direito a veto no Conselho de Segurança, “aguentarem a pressão dos EUA pela aprovação da resolução”.
“Porém, o Parlamento votará uma proposta de lei para reconsiderar as relações com a AIEA se as sanções forem aprovadas”, reiterou.
Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU – entre eles o Brasil – começaram a discutir ontem a proposta de sanções impulsionada pelos EUA, que será votada nesta quarta-feira.
A queda-de-braço do Irã com a comunidade internacional se agravou no final do ano passado, quando o regime iraniano pôs impedimentos a um acordo de troca nuclear e decidiu iniciar seu próprio programa de enriquecimento de urânio apesar da oposição de alguns países ocidentais.
Desde então, os EUA tentam pactuar novas medidas punitivas, que finalmente podem vir a contar com o apoio de Rússia e China.
Brasil e Turquia, membros não-permanentes do Conselho de Segurança, defendem que as sanções não são necessárias, já que o Irã prometeu enviar parte de seu urânio ao exterior e receber em troca combustível enriquecido, pacto que não inclui, no entanto, o fim do enriquecimento iraniano.
Na segunda-feira, a AIEA pediu novamente ao Irã que dê provas conclusivas de que não almeja a aquisição de armamento atômico.
Hoje, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, advertiu que a imposição de sanções significará o fim definitivo do diálogo.