O Irã iniciará nesta terça-feira o abastecimento de combustível na nova usina nuclear de Bushehr, situada às margens do Golfo Pérsico, anunciou hoje o presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Alaedin Boroujerdi.
Em declarações divulgadas pela imprensa estatal, o responsável explicou que especialistas iranianos introduzirão o combustível “no coração do reator” nesta terça-feira e definiu a ocasião como “uma grande vitória do Irã” sobre as grandes potências.
“Alemanha, Reino Unido e França se opuseram à transferência de tecnologia para a construção de centrífugas. Mas hoje em dia temos entre sete mil e oito mil”, disse Boroujerdi, citado pela agência estatal “Irna”.
“Apesar das políticas dos Estados Unidos e de alguns países europeus, que impuseram sanções à República Islâmica do Irã, seguiremos adiante com nossas políticas. Se eles não constroem uma fábrica para o Irã, o Irã constrói por si só”, destacou.
Teerã começou a construir a usina nuclear de Bushehr na década de 70 com a ajuda alemã, um projeto que foi interrompido pelo triunfo da Revolução Islâmica que em 1979 depôs o último Xá da Pérsia, Mohammad Reza Pahlevi.
Os trabalhos, que terminaram em meados deste ano após uma série de atrasos, foram retomados há dez anos com a colaboração da Rússia.
Em 21 de agosto, as autoridades nucleares iranianas anunciaram que já tinham dado início aos trabalhos de abastecimento da fábrica.
Grande parte da comunidade internacional acusa o Irã de ocultar, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e com aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas, o que é negado por Teerã.
Em fevereiro deste ano, o país ignorou as advertências da comunidade internacional e começou a enriquecer urânio a 20% , o que levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a impor novas sanções ao país.