Menu
Mundo

Irã esfria negociações sobre programa nuclear

Arquivo Geral

07/12/2010 17h25

 

O Irã jogou nesta terça-feira um balde de água fria nas negociações mantidas com as grandes potências em Genebra sobre o polêmico programa nuclear, ao assegurar que não falará do assunto na próxima reunião em Istambul, mas sobre a “cooperação” internacional em temas como o desarmamento mundial.

“Quero dizer claramente que o Irã não vai discutir sobre o fim do enriquecimento de urânio na próxima reunião em Istambul”, disse em entrevista coletiva o negociador iraniano, Saeed Jalili.

“O único resultado foi que as conversas ficaram baseadas na cooperação para alcançar bases comuns, e isso ficou consignado nas atas da reunião”, assegurou Jalili.

Apenas uma hora antes, em uma breve declaração de dois minutos – que contrastou com as duas horas de entrevista coletiva de Jalili – a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, assegurou que ficou acordado com o Irã uma reunião em Istambul para tratar de “ideias práticas e maneiras de cooperação para nossas preocupações fundamentais sobre o assunto nuclear” iraniano.

Catherine atuou como mediadora entre Teerã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) na rodada de negociações realizada após mais de um ano de interrupção e precedida por diferenças e tensões.

De um palco onde estava pendurada a fotografia de um cientista nuclear iraniano assassinado na semana passada em Teerã – atentado que o Irã atribui aos serviços secretos ocidentais -, Jalili se mostrou desafiador e chegou a desautorizar a declaração de Catherine.

Lamentou ela não ter comparecido com ele na entrevista coletiva conjunta “para evitar ambiguidades” e repetiu cerca de 20 vezes que o programa nuclear do Irã não estará nas discussões futuras.

Em seu longo discurso, Jalili se centrou em pedir para o Irã um lugar na arena internacional para ajudar a “resolver as verdadeiras preocupações da comunidade internacional”.

Entre estas, citou a proliferação nuclear de alguns países, e os “bilhões gastos em guerras que deixaram milhares de mortos inocentes”, enquanto acusou “os mesmos culpados” de buscar “problemas fictícios para desviar a atenção”, em referência ao programa nuclear iraniano, que Teerã defende como pacífico.

Também ressaltou que o Irã não está disposto a colocar em questão o direito de conseguir seu objetivo de controlar o ciclo completo de produção de combustível nuclear, que Teerã afirma ser unicamente de natureza civil e com fins pacíficos.

“Negar a uma nação seus direitos inalienáveis é inaceitável, e o Irã continuará com seus esforços para defender o direito de todos a utilizar energia nuclear de maneira pacífica, dentro das regulamentações internacionais”, indicou o negociador.

Disse que “essa questão não está submetida a pechinchas” e que é preciso negociar “outros assuntos”, como o desarmamento internacional, além de investigar como Israel conseguiu “as milhares de ogivas nucleares que possui”.

Um grupo de países poderosos “não pode impor sua vontade e interesses no restante do mundo”, ressaltou.

Jalili afirmou que existem 850 mil doentes de câncer em seu país que precisam de produtos farmacêuticos radioativos, para os quais se requer um reator nuclear.

E lembrou que nas conversas realizadas há um ano com o mesmo grupo, solicitou que facilitassem ao Irã o combustível porque, caso contrário, o país o produziria, mas “apesar de se tratar de um assunto de natureza puramente medicinal e humanitária, foi negado”.

“Pensaram que estávamos criando alarde e agora nos pedem para parar. O mundo vê que não nos impediram de nada”, acrescentou.

Por isso, se mostrou “muito contente” com o recente anúncio de que o Irã já obteve a capacidade de produzir um concentrado de urânio que serve de base para a produção de urânio enriquecido, e esclareceu que todas essas atividades “estão controladas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)”.

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado