O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou, nesta segunda-feira (15), que o país ainda nutre uma “profunda desconfiança” em relação aos Estados Unidos, apesar de estar previsto para a sexta-feira a assinatura, com Washington, de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
“Infelizmente, é preciso reconhecer que a profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos é consequência de um longo histórico de malfeitos por parte dos governantes americanos”, declarou o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, durante sua coletiva de imprensa semanal.
Os americanos “ainda têm muito a fazer antes de conquistar a confiança dos iranianos”, acrescentou, e considerou que o acordo que, em princípio, será assinado na sexta-feira é apenas “uma etapa para reduzir as tensões e pôr fim à guerra”, desencadeada por um ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Washington e Teerã anunciaram, nesta segunda-feira, ter chegado a um acordo para encerrar imediatamente a guerra no Oriente Médio em todas as frentes, incluindo o Líbano, e realizar uma cerimônia de assinatura na sexta-feira em Genebra.
Segundo Baqaei, os Estados Unidos se “comprometeram” a desbloquear “ativos iranianos” congelados no exterior e a indenizar o Irã pelos danos causados durante o conflito.
“Os Estados Unidos devem cumprir seus compromissos. Devem garantir que o regime sionista respeite igualmente os seus em relação ao Líbano”, afirmou o porta-voz, que ponderou, no entanto, que seu país não “confia nem em Israel nem nos Estados Unidos”.
Embora o conteúdo do acordo não tenha sido divulgado, o Irã indicou que as negociações devem começar, no máximo, dentro de 60 dias, com o objetivo de chegar a um acordo definitivo sobre questões espinhosas, como seu programa nuclear e as sanções contra sua economia.
AFP