O novo porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, chamou hoje de “injustificável” a reivindicação das autoridades da França no caso da professora Clotilde Reiss, a jovem francesa detida no Irã durante os protestos pós-eleições.
Segundo a agência local “Mehr”, o porta-voz reagiu desta forma às recentes declarações do ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, que pediu ao Irã garantias de não voltar a deter Reiss caso compareça diante de um juiz.
“O fato de pedir garantias à República Islâmica do Irã como condição para o comparecimento de Reiss diante da Justiça descumpre claramente as promessas textuais das autoridades francesas sobre a disponibilidade dela no processo judicial”, disse Mehmanparast.
O porta-voz da diplomacia iraniana alertou que “a colocação de pedidos injustificados pode criar condições desagradáveis e provocar desconfiança das autoridades judiciais sobre a honestidade dos responsáveis franceses”.
“Reiss não será desculpada sob pressões políticas e ninguém tem direito de dar ordens ao juiz de seu caso”, ressaltou Mehmanparast, ao afirmar que as acusações contra Reiss estão respaldadas por claras provas.
Professora de francês na universidade de Isfahan, Reiss foi detida durante uma manifestação contra o resultado das eleições iranianas de 12 de junho, nas quais o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, foi reeleito.
Junto a dezenas de detidos à época, Reiss compareceu em um julgamento televisionado em Teerã e foi acusada de “espionagem”, mas foi libertada sob fiança e se encontra atualmente na Embaixada da França em Teerã.
As manifestações em Teerã surgiram depois que os candidatos pró-reformistas denunciaram uma fraude eleitoral a favor de Mahmoud Ahmadinejad e pediram a anulação do pleito.
Logo depois dos anúncios dos primeiros resultados preliminares, Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karrubi denunciaram uma fraude maciça em favor de Mahmoud Ahmadinejad por sua surpreendente maioria absoluta de votos.
Durante a repressão aos posteriores protestos, quase 30 pessoas morreram, segundo números oficiais. Para a oposição, o número de mortos foi 72.
Quase 100 dos quatro mil detidos, entre eles destacados ativistas políticos reformistas, ainda estão presos e enfrentam um julgamento coletivo considerado pela oposição iraniana como uma “farsa”.