Irã consulta seu embaixador em Bahrein, no meio da crise diplomática surgida entre os dois países em consequência da intervenção militar da Arábia Saudita e outros estados do Golfo, de maioria xiita.
De acordo com a televisão estatal, o Ministério de Relações Exteriores ordenou na quarta-feira retornar a seu representante em Manama, Mahdi Aghajafari, em protesto pela entrada das tropas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), chamadas pelo Governo bareinita para que ajudem a conter os protestos da oposição.
Cerca de mil soldados sauditas, junto a outros 500 dos Emirados Árabes Unidos entraram em Bahrein na segunda-feira passada sob mandato do CCG, organismo que engloba todos os países da península Arábica, com exceção do Iêmen.
Na mesma quarta-feira, o presidente iraniano condenou a ação e disse que se tratava de um ato “abominável”.
Horas antes, o regime iraniano tinha convocado os representantes diplomáticos de Bahrein e Arábia Saudita em Teerã, e a embaixadora da Suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos, para expressar seu protesto por uma ação que qualificou de inaceitável.
A agência de notícias estatal “Irna” informou, por sua parte, que várias dezenas de estudantes se manifestaram nesta quarta-feira frente os gabinetes dos dois Estados do Golfo para protestar pela repressão contra a população xiita.
Os congregados, que levavam fotografias de supostos opositores bareinitas mortos nos protestos que se repetem desde o dia 14 de fevereiro, acusaram, além disso os Estados Unidos de ter promovido a intervenção militar.
“Alá é o maior”, “o Islã vencerá” e “a dinastia saudita colapsará” foram as principais frases ditas pelos estudantes, que denunciaram “crimes contra a humanidade” em Bahrein.
Segundo a imprensa local, o ministro sírio de Relações Exteriores, Walid al Moallem, chegará nesta quinta-feira a Teerã para discutir com seu colega iraniano, Ali Akbar Salehí, a conflituosa situação regional e em particular a crise de Bahrein.
Irã, único país do mundo com um regime xiita, apoiou as revoltas no referido reino, estado que considera uma antiga província arrancada.