O Irã voltou a atacar alvos militares dos Estados Unidos no Kuwait nesta quinta-feira (3), ignorando as ameaças do presidente americano, Donald Trump.
As hostilidades foram retomadas no domingo, após um mês de trégua.
O Exército do Kuwait informou que interceptou um ataque com mísseis e drones procedentes do Irã, depois que Teerã anunciou uma ação contra a base aérea de Ahmad al-Jaber.
O Exército do Irã também anunciou um ataque contra a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, mas este país do Golfo não relatou nenhuma ação do tipo.
Na quarta-feira, o Irã prometeu deixar o inimigo americano “em pedaços”, após ataques contra seu território que, entre outros alvos, atingiram um casamento.
Segundo Teerã, os bombardeios deixaram 19 mortos, incluindo sete integrantes das Forças Armadas e também civis.
Quatro vítimas acompanhavam uma cerimônia de casamento no distrito de Sirik, sudeste do país, onde quase 70 pessoas ficaram feridas, segundo a imprensa estatal.
– “Realmente angustiantes” –
Os iranianos estão consternados pela volta das hostilidades.
Hossein Moazami, de 50 anos, qualificou os ataques de “realmente angustiantes”.
“Espero que todos voltem à mesa de negociações porque os únicos que sofrem são os iranianos”, disse. “Os americanos estão do outro lado do mundo e nada acontece com eles”, comentou.
Neste cenário, os mercados de petróleo acusaram o golpe com altas que levaram o preço do barril do Brent do Mar do Norte, referência internacional, para entrega em novembro para mais de 97 dólares.
Teerã advertiu na quarta-feira que adotará uma “nova estratégia” na guerra.
O principal negociador e presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, qualificou os Estados Unidos de “Satã”, após denunciar o ataque ao casamento, qualificado pelo porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, de “crime de guerra”.
– “Extremamente cético” –
O vice-presidente americano, JD Vance, afirmou, nesta quinta-feira, que se está “investigando” o ocorrido no casamento, mas que ele se mostra “extremamente cético a respeito”.
Vance argumentou que “os veículos de mídia estatais iranianos não têm sido os cronistas fiéis do que aconteceu no conflito até agora”.
O chefe da Guarda Revolucionária iraniana prometeu vingança.
“O sangue puro destes mártires (…) não ficará impune e sem dúvida será vingado”, afirmou, nesta quinta-feira, Ahmad Vahidi, em um comunicado difundido pela TV estatal.
Desde o início do conflito, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, onde a atividade comercial, salvo em ocasiões pontuais, tem operado em níveis mínimos.
Por essa rota marítima transitavam antes da guerra 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito.
Vance assegurou que o fluxo de petróleo através desta via marítima retornou quase “ao nível” anterior à guerra.
O presidente americano propôs na quarta-feira mudar seu nome para “Estreito de Trump”, mas depois deu a entender que não falava sério ao ser questionado pela AFP a respeito.
A guerra no Oriente Médio começou no fim de fevereiro com a ofensiva americana e israelense contra o Irã, que matou no primeiro dia seu líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, considerou que o governo iraniano poderia cair em breve.
“Estou convencido de que podemos eliminar esta ameaça de uma vez por todas, isto é, derrubar este regime. Essa é a tarefa central que ainda temos pela frente, mas está perto. Não é impossível. Está ao alcance da mão”, declarou nesta quinta-feira.
Como parte de sua promessa de submeter a República Islâmica a uma “asfixia” econômica, Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos e, recentemente, anunciou uma nova rodada de sanções secundárias contra os parceiros comerciais de Teerã.
Por outro lado, uma equipe de investigadores da ONU instou o Irã a retirar de imediato um projeto de lei, atualmente no Parlamento, que poderia resultar em décadas de prisão para quem se comunicar com pessoas ou entidades estrangeiras.
O grupo advertiu que constitui “uma perigosa escalada na repressão das liberdades fundamentais e no isolamento dos iranianos da comunidade internacional”.
AFP