O Governo iraniano acusou hoje os países ocidentais de tentarem transformar em um questão política o caso da mulher condenada à morte por apedrejamento, por ter cometido adultério, para pressionar contra as aspirações nucleares do Irã.
O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast, em sua habitual entrevista coletiva semanal, condenou a reação ocidental ao que chamou de “caso judicial do assassinato cometido por Sakineh Mohammadi Ashtiani”. A condenada por adultério confessou na semana passada também ter participado do assassinato de seu marido.
“O processo de uma pessoa que cometeu um assassinato é um processo natural da Justiça e não é lógica a exigência de libertação deste tipo de pessoa por outros países e ofertas de asilo político”, afirmou.
O porta-voz da diplomacia iraniana definiu assim a postura oficial do Irã sobre a disposição de países como o Brasil de oferecer asilo político a Sakineh.
“Depois da assinatura do acordo em Teerã entre os representantes de Irã, Turquia e Brasil para desbloquear as negociações nucleares (há três meses), os países ocidentais se viram frente a uma nova crise, por terem fracassado em suas tentativas de deter as atividades pacíficas nucleares do Irã”, afirmou Mehmanparast.
O porta-voz acrescentou que, por isso, estes países optaram por tomar medidas apressadas, como a aprovação de uma resolução contra o Irã e atacar navios com ajuda humanitária destinada a Gaza.
“A última medida tomada por eles é conspirar contra a aliança criada entre Irã, Turquia e Brasil, através da colocação deste tipo de questões”, disse Mehmanparast, que acrescentou que seu país informará as autoridades brasileiras sobre os detalhes do caso de Sakineh.
“Irã e Brasil são dois países independentes que não permitirão a intermediação dos demais em suas questões internas”, afirmou Mehmanparast.
“Continuamos com nossas atividades nucleares seguindo as normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e assim as seguiremos”, disse.