O ex-inspetor da Polícia Judiciária portuguesa (PJ) Gonçalo Amaral, visit this um dos responsáveis pela investigação do caso Madeleine, order considerado o principal defensor da culpabilidade dos pais da menina britânica desaparecida, disse que soube que o processo seria arquivado no dia em que saiu do cargo.
“Desde o dia em que saí (após sua demissão, em outubro de 2007), soube que o processo seria arquivado”, afirma Amaral em entrevista divulgada hoje na edição para a internet do semanário português “Expresso”.
Amaral, que no início desta semana pediu voluntariamente baixa da PJ, ressalta que foi retirado do caso pelo rumo que a investigação estava tomando e não por incompetência.
Deixa claro que a estratégia da investigação não foi decidida exclusivamente por ele, mas também contou com a participação da Polícia britânica e outros corpos de segurança portugueses.
“A estratégia não foi decidida só por mim. Foi por todo o povo. Envolveu a Polícia britânica e as outras de Portugal. O que estava para ser investigado era a morte da menina, mesmo que fosse acidental”, pondera Amaral na entrevista.
O inspetor afirma que quis crer, no momento de sua demissão, que sua saída do caso tinha como objetivo o avanço da investigação.
Amaral insiste na idéia de que a menina morreu na noite de 3 de maio de 2007, embora se defenda, dizendo que não pode divulgar provas a respeito, quando é questionado sobre fatos concretos que sustentem sua teoria.
Madeleine desapareceu, aos 4 anos, em 3 de maio de 2007 enquanto passava as férias com seus pais, Kate e Gerry McCann, e dois irmãos menores em um complexo hoteleiro do Algarve (sul de Portugal).
Amaral lembra que exatamente no dia em que saiu do caso, foi anunciada a chegada a Portugal de uma testemunha fundamental para o caso, que, no entanto, nunca apareceu em território português.
Por outro lado, o antigo responsável do caso aponta que a Polícia britânica foi influenciada pelos pais da menina, o casal McCann.
“Não digo que a Polícia britânica estivesse sob o comando dos McCann, mas foi influenciada, tal como nós fomos. A PJ deveria ter achado uma maneira de proteger os investigadores de tudo isto”, ressalta.
O policial explica que a decisão de declarar os McCann suspeitos surgiu do consenso geral e que o ex-diretor nacional da PJ Alípio Ribeiro também concordou com esse rumo da investigação.
A Promotoria portuguesa esclareceu na terça-feira passada que o caso Madeleine continua aberto, em resposta às informações da imprensa portuguesa sobre o possível fim das investigações.
Amaral foi destituído por causa de declarações para um jornal de Lisboa nas quais afirmava que a Polícia britânica centrava suas investigações exclusivamente sobre pistas fornecidas pelo casal McCann.
O agora ex-inspetor disse então que a Polícia britânica averiguava pistas fornecidas pelos pais de Madeleine e não levava em conta que o casal era suspeito da possível morte da própria filha.
A Procuradoria Geral da República portuguesa disse que estuda o relatório final das atuações policiais e judiciais sobre Madeleine e que este será objeto de uma “cuidadosa apreciação e ponderação”, antes de emitir uma decisão final.