A Indonésia prepara-se para receber nesta terça-feira o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quem passou parte de sua infância no país e utilizará esta etapa de sua viagem à Ásia para um discurso de conexão com o mundo muçulmano.
Obama prevê chegar à Indonésia na tarde desta terça-feira, depois que nos últimos dias surgiram dúvidas sobre se o presidente, que já cancelou sua visita à Indonésia em duas ocasiões por problemas de política interna, se veria obrigado novamente a alterar sua agenda, nesta ocasião.
As dúvidas quanto à ida de Obama ao país surgiram por causa da atividade do vulcão Merapi, que neste fim de semana obrigou o cancelamento de diversos voos a Jacarta.
De Nova Délhi, onde Obama se reúne nesta segunda-feira com as autoridades indianas na primeira etapa de sua viagem à Ásia – na qual também irá à Coreia do Sul e Japão -, o porta-voz da casa Branca, Robert Gibbs, declarou que “os planos de ir à Indonésia” estão confirmados.
Talvez pela incerteza gerada nos últimos dias, nesta terça-feira Jacarta não se mostrava entusiasmada com visita de 24 horas de um presidente que guarda uma conexão muito especial com o país, onde passou vários anos de sua infância.
Madi, um taxista de 26 anos, estava mais preocupado com o efeito que a visita de Obama causará ao tráfego da capital: “Fecharão o trânsito na principal avenida” e ninguém conseguirá ir a lugar algum, ressaltou.
O professor de relações internacionais da Universidade da Indonésia, Hariyadi Wirawan, também revelou seu ceticismo ao destacar que visita perdeu fôlego depois dos dois cancelamentos anteriores.
“Sua curta estadia revela que Obama visita o país só porque não quer que achem que ele minimiza a importância dos laços entre EUA e Indonésia cancelando pela terceira vez” a viagem, declarou Wirawan ao jornal “The Jakarta Post”.
O Governo indonésio preparou um forte esquema de segurança para esta visita, que incluirá 9 mil policiais.
No início de sua visita, Obama terá uma cerimônia de boas-vindas e se reunirá com o presidente do país, Susilo Bambang Yudhoyono, com quem participará de uma entrevista coletiva.
A luta contra o terrorismo e contra a mudança climática, assim como a cooperação econômica, serão alguns dos temas que os dois debaterão.
Além disso, discutirão sobre o programa nuclear iraniano e as eleições em Mianmar.
A visita de Obama continuará na quarta-feira, quando irá à mesquita de Istiqlal, a maior da Indonésia.
O ponto forte da visita será um discurso à população, no qual, segundo o vice-conselheiro nacional de segurança da Casa Branca, Ben Rhodes, Obama “falará da aliança” criada com a Indonésia, “e também sobre a democracia, o desenvolvimento e nossa proximidade com as comunidades muçulmanas do mundo”.
Para Obama, será uma tentativa de se reconectar com o mundo muçulmano, que o contempla com ceticismo diante da falta de progressos no processo de paz no Oriente Médio e após o discurso no ano passado no Cairo que muitos consideram inexpressivo.
O presidente americano quer destacar a importância e o exemplo que representa a Indonésia – país de maior população muçulmana, que conta com uma economia vibrante.
Além disso, é o país mais importante da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e têm abundantes recursos naturais, uma indústria em crescimento e milhões de consumidores.
Por isso, durante sua viagem, Obama lançará um programa de cooperação com a Indonésia para “aprofundar e ampliar as relações em assuntos de segurança política, economia e relações entre os povos”, disse o diretor para a Ásia do Conselho de Segurança Nacional, Jeff Bader.
Depois de sua visita à Indonésia, Obama partirá para Seul para participar da cúpula do Grupo dos Vinte (G20, formado pelos países mais ricos e os principais emergentes).