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Incerteza reina em Seul, a 60 quilômetros dos mísseis norte-coreanos

Arquivo Geral

24/11/2010 15h26

Os sul-coreanos vivem com preocupação o dia seguinte ao ataque da Coreia do Norte, que aumentou o temor de um enfrentamento de grande escala que ninguém deseja em Seul, a apenas 60 quilômetros de distância da fronteira.

Poucos sul-coreanos discordam que a chuva de disparos que arrasou parte da ilha de Yeonpyeong nesta terça-feira, causando a morte de dois militares e dois civis, é o fato mais grave desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953.

“Nunca tinha acontecido algo assim, atacaram a população civil a cem quilômetros de Seul e a Coreia do Sul deve responder de maneira militar, mas tentando evitar que se transforme em uma guerra aberta”, disse à Agência Efe Kim Min-jung, uma sul-coreana de 27 anos.

Nesta quarta-feira o assunto mais falado entre os sul-coreanos nas ruas era a troca de tiros de artilharia entre as duas Coreias, acompanhado em todo o país com grande preocupação e especialmente em Seul, uma cidade que se encontra dentro da área de alcance dos mísseis do regime de Kim Jong-il.

No entanto, a rotina da capital sul-coreana se manteve praticamente inalterada, apesar de que nas primeiras páginas dos jornais e nos telões publicitários espalhados pela cidade as imagens da destruição em Yeonpyeong dominavam a cena, à frente dos Jogos Asiáticos de Guangzhou.

Na área central de Gwanghwamun, em Seul, onde costumam se concentrar as organizações e ativistas sul-coreanos, na noite desta terça-feira foi tomada apenas por Lee Jin-ho, um pacifista de cerca de 30 anos que segurava uma vela e um cartaz com a frase: “Uma península em paz”.

“Não haverá solução até que as duas Coreias firmem a paz e a Península da Coreia deixe de ser separada. Sempre discutem quem começou e quem teve a culpa mas nunca se fala da paz a sério”.

Os partidos mais conservadores apresentaram nesta quarta-feira as primeiras críticas à gestão da crise feita pelo Governo e pelo Exército, afirmando que atuaram com demora e pouca contundência na resposta aos primeiros disparos da Coreia do Norte.

O ministro da Defesa, Kim Tae-young, se defendeu das críticas no Parlamento e assegurou que os 13 minutos que se passaram até o início do contra-ataque foram adequados.

Park Sang-chul, de 60 anos, não concorda. “Demoraram muito em responder ao ataque, teríamos que ter feito uma ação forte no primeiro momento para que não acontecesse o mesmo com o ‘Cheonan'”, afirmou, mencionando o afundamento da corveta sul-coreana em março, no qual morreram 46 marinheiros.

Lee Sang-lok, redator-chefe do jornal “Dong-a”, também acredita que a oportunidade de responder militarmente já passou. “Agora não existe a mesma justificativa e com o incidente do ‘Cheonan’ ficou provado que recorrer ao Conselho de Segurança é inútil”, afirmou.

Um espanhol que trabalha em uma empresa sul-coreana relatou como seus colegas começaram a se preocupar com os rumores de que os reservistas poderiam ser convocados, algo que a Polícia atribuiu a mensagens falsas que foram espalhadas minutos depois do ataque.

Durante o dia todo a televisão mostrou como os moradores da ilha sul-coreana, a apenas 12 quilômetros dos canhões norte-coreanos, resistiram ao lançamento das bombas em refúgios, sem alimentos nem eletricidade.

Para acentuar o caráter dramático do episódio, a imprensa narrou com detalhes os minutos prévios à morte do sargento Seo Jeong-woo, de 22 anos, que estava a ponto de pegar um barco para voltar para casa quando foi surpreendido pelo ataque.

Seo retornou para defender sua posição com seus companheiros da ilha, mas acabou atingido por um dos disparos.

Mais de mil pessoas visitaram nesta quarta-feira o hospital de Seul onde chegaram os corpos dos dois militares mortos, enquanto alguns parentes tentavam entender, entre lágrimas, como se chegou a esta situação.

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