Um incêndio atingiu hoje quase 500 casas na aldeia Nikolaevka, um povoado em Altai, no sul da Sibéria, região da fronteira russa com o Cazaquistão e a Mongólia, de acordo com informações divulgadas pelo Ministério de Situações de Emergência do país.
“Nikolaevka está totalmente em chamas. Segundo dados preliminares, foram queimadas 433 casas, nas quais viviam 1.166 pessoas”, afirmou a porta-voz do Ministério, Irina Andrianova, que acrescentou que os residentes foram deslocados para acampamentos de verão, centros sociais e imóveis particulares”.
As casas da aldeia estavam rodeadas por árvores, e por isso foram atingidas facilmente pelo fogo, que se espalhou rapidamente graças à força dos ventos de quase 100 quilômetros por hora, ainda de acordo com a porta-voz.
Aproximadamente 70 pessoas participaram dos trabalhos para combater o fogo, que provinha do Cazaquistão, conforme imagens de satélites.
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, foi informado do incêndio pelo ministro das Situações de Emergência, Serguei Shoigu, e ordenou as autoridades regionais que responsabilize os funcionários “cuja inação levou a tão graves consequências”.
O Ministério das Situações de Emergência anunciou que enviará dois hidraviões à região, além de um trem de bombeiros e quatro helicópteros para frear o avanço do fogo, que ameaçava outras quatro localidades nas quais a evacuação também foi iniciada.
A porta-voz do Ministério afirmou que os bombeiros afastaram as chamas de um dos povos, mas a ameaça segue latente em outras três aldeias, já que nas localidades cazaques vizinhas o fogo já ocupa mais de 2 mil hectares.
As autoridades russas haviam informado hoje da piora da situação dos incêndios florestais nas regiões meridionais da Sibéria.
No último dia 23, Medvedev suspendeu o estado de emergência declarado nas regiões centrais da parte europeia do país, as mais afetadas pela temporada de incêndios.
Medvedev ordenou revisar a polêmica lei florestal aprovada pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e assim recuperar a guarda-florestal, a fim de prevenir os incêndios.
Recentemente, a organização ambientalista Greenpeace denunciou que a reforma da lei florestal levou à eliminação de 70 mil postos de guardas-florestais na Rússia, país onde se encontra 23% das florestas do planeta (809 milhões de hectares).
Enquanto isso, Putin, que foi apontado pela oposição e pelos ecologistas como o principal responsável pela incapacidade das autoridades de combaterem o fogo, culpou a mudança climática pela seca e pelos incêndios florestais.
Os aproximadamente 30 mil incêndios que atingem o país desde o começo de junho causaram 60 mortes, queimaram mais de 1 milhão de hectares de florestas e destruíram milhares de casas, segundo fontes oficiais.
De acordo com a organização ambientalista Centro de Conservação da Biodiversidade da Rússia, a área de florestas arrasada este ano no país está entre 10 e 12 milhões de hectares.
O custo dos incêndios e a seca é equivalente a 1% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) russo para este ano, conforme analistas independentes.