“Com suas palavras e gestos de perdão para com os perseguidores, patient (os mártires beatificados) nos impulsionam a trabalhar incansavelmente pela misericórdia, doctor reconciliação e convivência pacífica”, disse o Pontífice após a cerimônia.
Os 498 “mártires do Século XX na Espanha”, segundo a denominação dada pela Igreja Católica, foram proclamados beatos na maior cerimônia deste tipo da História, realizada na Praça de São Pedro, no Vaticano. De acordo com fontes vaticanas, cerca de 40 mil espanhóis estiveram presentes à cerimônia, entre eles 2.500 parentes dos mártires.
O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o cardeal português José Saraiva Martins, realizou a cerimônia em nome do Papa, que presidirá apenas os atos de canonização. Saraiva Martins ressaltou que os 498 mártires – o mais jovem com 16 anos e o mais velho com 71 – “derramaram seu sangue pela fé durante a perseguição religiosa na Espanha”, e antes de morrer “perdoaram aqueles que os perseguiam e rezaram por eles”.
O representante do Papa disse que hoje a identidade dos cristãos “está constantemente ameaçada”, e que os novos beatificados transmitem uma mensagem de amor e coerência. “Ser um cristão coerente representa contribuir com o bem comum da sociedade, defendendo suas convicções sobre a dignidade da pessoa, da vida desde a concepção até a morte natural, da família fundada na união matrimonial indissolúvel entre um homem e uma mulher e do direito e dever primário dos pais à educação de seus filhos”, acrescentou.
Em cerimônia realizada em espanhol, Saraiva Martins leu a Carta Apostólica com a determinação do Papa e inscreveu os nomes das 498 pessoas no livro dos beatos. Os mártires são dois bispos, 24 sacerdotes diocesanos, 462 membros de Institutos de Vida Consagrada, um diácono, um subdiácono, um seminarista e sete laicos.
O pedido de beatificação foi feito pelo cardeal de Madri, Antonio María Rouco Varela, cuja arquidiocese reúne o maior número de mártires entre os beatificados. Bento XVI ordenou que os novos beatos sejam lembrados pela Igreja Católica no dia 6 de novembro.
A cerimônia foi acompanhada por mais de mil religiosos espanhóis e uma delegação oficial liderada pelo ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos. Também estiveram presentes o embaixador da Espanha junto à Santa Sé, Francisco Vázquez; o Subsecretário de Assuntos Exteriores e de Cooperação Luis Calvo Merino, e a diretora-geral de Assuntos Religiosos Mercedes Rico.