O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, afirmou nesta nesta sexta-feira em São Paulo, após um encontro com o ex-líder Luiz Inácio Lula da Silva, que vai trabalhar para resolver os problemas sociais de seu país, mas com responsabilidade econômica, inspirado no modelo do Brasil.
“Reconhecemos que o Brasil é um Governo bem-sucedido onde se combinou o crescimento econômico com a inclusão social e o respeito ao manejo da economia. Acho que isso é fundamental e nós também estamos comprometidos em trabalhar com isso”, afirmou Humala em entrevista coletiva, junto a Lula, em São Paulo.
Humala também comentou sua acirrada vitória na disputa eleitoral peruana contra a candidata Keiko Fujimori. “A confiança não é um presente. O que o povo peruano me deu é a oportunidade de ganhar essa confiança e com maior atenção dos que não votaram por mim e, por isso, colocamos uma série de medidas para concertar”.
Ele lembrou que 50% das crianças da população rural peruana sofre de desnutrição crônica. “Isso deve ser corrigido e isso não é populismo. Com a saúde também não se pode fazer populismo”.
Quanto à política externa, o presidente eleito se comprometeu a “estabelecer as mesmas relações de amizade e fortalecimento” para as soluções dos problemas da região, em sua opinião a mais desigual do mundo, e em “fortalecer a unidade regional” conforme a Comunidade Andina de Nações (CAN) e o Mercosul.
“Vamos participar mais ativamente do Mercosul”, ressaltou Humala, sem especificar se a intenção é se transformar em membro pleno do bloco.
Ao ser questionado se seu perfil político se inspirou em Lula ou no presidente venezuelano, Hugo Chávez, Humala desconversou. “Não acho que o caminho seja imitar, o caminho é aprender com experiências de outros países em soluções para problemas comuns”.
Lula destacou que o futuro presidente do Peru não será o “Lula peruano, será o Ollanta peruano”, com uma “revolução democrática e pacífica”.
Para o ex-presidente brasileiro, “a Unasul (União de Nações Sul-americanas) sai fortalecida” com Humala. “Se há uma ‘direitização’ conservadora na Europa, na América Latina vemos o avanço dos Governos progressistas. Inclusive na Colômbia, com o presidente (Juan Manuel) Santos, vemos avanços muito pontuais de diálogo regional”.
“Os Estados Unidos, com meu amigo (Barack) Obama, não pode ver a América Latina como um problema. A América Latina é uma solução aos problemas globais”, sentenciou Lula.
Na quinta-feira, Humala iniciou no Brasil sua primeira viagem desde que venceu as eleições no domingo passado. Em Brasília, o futuro governante peruano foi recebido pela presidente Dilma Rousseff, com quem conversou sobre possíveis fórmulas de cooperação fronteiriça e de combate à pobreza.
Após seu encontro com Lula, Humala embarcou imediatamente para Assunção, onde espera se reunir com o chefe de Estado paraguaio, Fernando Lugo, e retornar ainda nesta sexta-feira a São Paulo, onde passará o fim de semana com sua família para um descanso após a intensa campanha eleitoral que o levou ao poder.
Na segunda-feira, o presidente eleito retomará sua viagem pela região e viajará a Montevidéu, onde será recebido pelo governante uruguaio, José Mujica, seguindo na terça-feira a Buenos Aires, para se encontrar com a líder argentina, Cristina Kirchner.
A viagem termina na quarta-feira no Chile, com uma visita ao presidente Sebastián Piñera, “se os aeroportos estiverem abertos”, como lembrou Humala em referência à nuvem de cinzas do vulcão chileno Puyehue-Cordón Caulle que está dificultando os voos na América do Sul.