Os documentos foram assinados pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o bielo-russo, Alexander Lukashenko, no povoado de San Tomé, 490 quilômetros a sudeste de Caracas. Após a assinatura, Lukashenko disse que Belarus nunca havia encontrado uma nação com a generosidade da Venezuela e garantiu que seu país tem com que responder a esse gesto.
“Eu prometo que em dois ou três anos vamos criar aqui empresas das quais você sempre se orgulhará”, afirmou o governante bielo-russo a Chávez. O presidente venezuelano disse que “assim são construídos a unidade, a liberdade e o progresso dos povos”.
Chávez destacou que a relação com Belarus demonstra que a Venezuela é agora “independente e soberana” e afirmou que há apenas 10 anos esta relação não teria sido possível devido à dependência de Caracas em relação a Washington.
O acordo prevê a criação de uma empresa mista que durante 25 anos explorará o campo petrolífero “Guara Este”, uma área da faixa com um potencial de extração calculado em 5 bilhões de barris de petróleo.
Com este convênio, Belarus se soma a países como China, Índia, Rússia, Irã, Vietnã, Espanha, Brasil, Argentina e Uruguai.
Também foram assinados acordos para a construção de três fábricas: uma de caminhões de carga em Puerto Ordaz, 720 quilômetros a sudeste de Caracas, e outras duas, uma de tratores e outra de carrocerias e chassi, em San Fernando de Apure, 400 quilômetros ao sul da capital.
A fábrica de caminhões terá capacidade de produzir unidades com capacidade de carga superior a 100 toneladas, que poderão ser exportadas a Bolívia e Brasil, segundo porta-vozes oficiais.
Estes acordos estão relacionados com o empréstimo de US$ 460 milhões que a Venezuela concedeu a Belarus em meados do ano para que cancelasse uma dívida com o grupo russo Gazprom, cuja inadimplência ameaçava o fornecimento de gás ao país.
Como complemento, foi assinado um “Acordo Marco” de amplo alcance, nos âmbitos comercial, cultural, financeiro, social, econômico, científico, militar e político. Na sexta-feira, Lukashenko inaugurou em Caracas a primeira feira montada pelo Governo de Minsk na América Latina, com a presença de 215 expositores bielo-russos. O presidente e sua ampla delegação retornarão hoje a Minsk.