O líder do movimento xiita libanês Hisbolá, Hassan Nasrallah, garantiu neste sábado que ninguém poderá prender os suspeitos do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri e descartou a possibilidade de uma guerra civil no Líbano.
Nasrallah fez essas declarações dois dias depois de as autoridades de Beirute receberem do Tribunal Especial para o Líbano a ata de acusação do caso Hariri, na qual, segundo a imprensa libanesa, quatro membros do Hisbolá são acusados pela morte do ex-líder.
“Nenhuma força poderá prender os mencionados na ata de acusação… nem em 30 dias, nem em 30 ou 300 anos”, exclamou o dirigente do grupo xiita em uma videoconferência transmitida pela televisão libanesa.
Mesmo assim, Nasrallah indicou que “não haverá conflito entre sunitas e xiitas, não haverá guerra civil”. “Todos devem ficar tranquilos. Deve haver um Governo responsável e disposto a tratar de modo nacional um acontecimento de tamanha índole”.
Para ele, o Tribunal Especial para o Líbano tem entre seus objetivos “atentar contra a imagem da Resistência (braço armado do Hisbolá) e provocar um conflito entre libaneses, sobretudo, entre sunitas e xiitas”.
Nesse sentido, Nasrallah acusou a corte de colaborar com Israel e de não permitir investigações sobre um eventual envolvimento do Estado judaico na morte do ex-líder libanês. “Este tribunal, desde sua criação, não permitiu ninguém investigar Israel. Eles (os investigadores) ignoraram as provas”.
O movimento Hisbolá, que atualmente domina o Governo libanês, sempre negou o envolvimento de seus militantes no caso Hariri. Em agosto do ano passado, Nasrallah divulgou informações e fotografias – embora não sejam provas contundentes – sobre o suposto envolvimento de Israel.
Ao longo do discurso do líder do movimento xiita, a televisão libanesa mostrava imagens que supostamente demonstravam que a maioria dos funcionários do tribunal estaria relacionada a Israel, à CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) e ao FBI (polícia federal dos EUA).
Desde quinta-feira passada, as autoridades do Líbano dispõem de 30 dias para cumprir os mandados de prisão contra os quatro membros do Hisbolá indiciados no processo. Terminado esse prazo, a ata de acusação será publicada e os acusados serão convocados à sede do tribunal internacional, sediado na Holanda.