A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, defendeu nesta terça-feira a legalidade de uma eventual decisão de armar as forças de oposição na Líbia, mas assegurou que o assunto não foi abordado na conferência internacional de Londres.
“Nossa interpretação é de que a (resolução da ONU) 1973 emendou ou anulou a proibição absoluta de armar qualquer pessoa na Líbia, de modo que pode haver uma transferência legal de armas, se um país decidir fazê-lo”, disse Hillary.
A secretária de Estado compareceu perante a imprensa e ressaltou que, embora exista a possibilidade de entregar armas aos rebeldes que combatem as forças do líder líbio, Muammar Kadafi, “essa decisão ainda não foi tomada”.
“Discutimos a assistência não letal para poder facilitar o Conselho Nacional Transitório (CNT) a cobrir muitas de suas necessidades financeiras e como podemos fazer isso através da comunidade internacional, levando em conta as sanções”, disse.
Ela ressaltou que a situação na Líbia é “volátil e dinâmica” e que, apesar da comunidade internacional “ter conseguido muito em um período curto de tempo”, é evidente que as forças da oposição “vão necessitar de fundos para seguir adiante”.
“O que vemos na Líbia é um fortalecimento da oposição, um esforço persistente e consistente para manter o terreno ganho e recuperar o perdido. Infelizmente, também vemos uma pressão contínua de Kadafi sobre os rebeldes e sobre a população”, assinalou.
A secretária de Estado se mostrou “satisfeita” com os progressos obtidos nesta terça-feira e nos dias prévios a esta conferência para forjar um grande consenso internacional, e assegurou que no futuro a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) dirigirá a operação militar na Líbia.
“O Conselho do Atlântico Norte, com plena participação dos membros da coalizão, será o único facilitador de uma direção executiva para as operações da Otan, com um enfoque similar ao da Força Internacional da Otan no Afeganistão (Isaf) no Afeganistão”, ressaltou a política.
Sobre o futuro do líder líbio, Hillary se mostrou pessimista: “Não tenho certeza de que sabemos exatamente quando veremos uma mudança na atitude de Kadafi e de seus seguidores, mas, como disse a Liga Árabe, é óbvio para todo o mundo que Kadafi perdeu a legitimidade para dirigir o país”.
Ela lembrou que um enviado especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, viajará em breve a Trípoli e Benghazi e aproveitará a oportunidade para “pedir a Kadafi que aplique um cessar-fogo real que não seja violado por suas forças e que retire suas tropas, que tomaram pela força distintas áreas do país”.
Segundo Hillary, o objetivo dessa missão é também “buscar uma resolução política, que poderia incluir a saída (de Kadafi) do país”.