Menu
Mundo

Hillary alerta América Latina sobre perigo de <i>flertar</i> com Irã

Arquivo Geral

12/12/2009 0h00

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, alertou hoje os países latino-americanos sobre as consequências que poderão sofrer por ficarem do lado do Irã e manifestou sua preocupação com líderes que prejudicam a democracia.

No primeiro de uma série de relatórios diplomáticos trimestrais, dedicado à América Latina, a chefe da diplomacia americana destacou, no entanto, que há maior consenso democrático na região.

Hillary revelou suas preocupações com algumas tendências registradas na região, começando pela crescente presença do Irã na América Latina, e a perpetuação no poder de alguns líderes.

Citando Bolívia e Venezuela, a secretária de Estado afirmou que é uma “má ideia” para os governos da região manterem relações diplomáticas com o país liderado por Mahmoud Ahmadinejad.

“Estamos muito conscientes do interesse do Irã para promover-se em alguns países, como Bolívia e Venezuela. Podemos dizer somente que é realmente uma má ideia”, disse

“Se quiserem flertar com o Irã, deveriam considerar as consequências que poderiam sofrer e esperamos que pensem duas vezes – eles têm nosso apoio”, explicou.

Hillary, que não mencionou o Brasil, que também recebeu Ahmadinejad, pediu a estes países que reconheçam que o Irã é “o maior promotor e exportador de terrorismo no mundo”.

Apesar disso, para a secretária de Estado americana, “raras vezes houve tanto consenso nesta região sobre os princípios básicos de liberdade e democracia”. “Chegou o momento de avançar com estes princípios”, disse.

A chefe da diplomacia americana criticou os líderes latino-americanos que, por meio de manobras legais, se perpetuam no poder, aludindo à Nicarágua e à Venezuela.

“Obviamente, expressamos nossa preocupação em relação a Venezuela e Nicarágua, e a seguiremos manifestando, porque é importante que façamos um forte apelo ao povo e aos governantes para que se mantenham realmente no caminho da democracia”, afirmou.

“Nos preocupam os líderes que são eleitos de maneira livre, justa e legítima, mas que depois começam a enterrar as ordens constitucional e democrática, o setor privado, os direitos dos cidadãos de viver sem opressões”, explicou.

“O que me preocupa é como voltarmos ao caminho correto, a um no qual há o reconhecimento de que a democracia não é um assunto de líderes individuais, mas de instituições fortes”, ressaltou.

Hillary acrescentou ainda que os governantes não deveriam somente fortalecer sua própria posição e sua base de apoio, mas respeitar os direitos dos cidadãos e os fundamentos da democracia.

Ela também se referiu a Havana, embora apenas de forma superficial, ao manifestar seu desejo de que em um futuro próximo possa ver uma Cuba democrática. “Isso seria extraordinariamente positivo para nosso continente”, disse.

A titular do Departamento de Estado não falou especificamente sobre a crise política em Honduras ao se referir aos países da América Central, com quem os EUA querem “trabalhar de maneira próxima”. Já o México ganhou elogios por sua “valente luta” contra o narcotráfico.

Hillary ressaltou o compromisso do governo americano de estimular no próximo ano uma reforma migratória integral, a qual considera “imprescindível”. Segundo ela, os EUA têm que aplicar a lei e proteger suas fronteiras, mas ao mesmo tempo deve promover uma política migratória “humana, racional, compassiva e pragmática”.

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado